
Um conflito entre a Brigada Militar (BM) e foliões aconteceu na madrugada deste sábado (1º) de Carnaval, na Rua General Lima e Silva, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Pessoas que estavam no local denunciam o emprego de violência do aparato de segurança pública, enquanto a BM relata ter deparado com "hostilidade crescente e tentativa de invasão do perímetro policial por populares" ao tentar desobstruir a via.
Vídeos que circulam em redes sociais mostram uma pessoa imobilizada no solo por dois brigadianos, enquanto outros oficiais acompanham nos arredores. Em determinado momento, outro policial se aproxima e borrifa o que parece ser spray de pimenta por três vezes no rosto da pessoa imobilizada, que se debatia e exigia força de contenção.
Cidadãos que presenciaram o fato dizem que duas mulheres foram detidas, sendo uma delas transgênero. Ambas foram conduzidas à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, no Palácio da Polícia, e liberadas em seguida. A BM não confirmou o número de detenções.
À reportagem da RBS TV, Luan, mulher trans de 22 anos que aparece no vídeo, contou que "nunca imaginou passar por algo assim". Ela narra ter ficado vários minutos no chão sendo agredida pela polícia.
Theo Dalla, estudante e amigo da Luan acompanhou o episódio e relatou ter assistido uma "sessão de tortura":
— O que elas (as vítimas) fizeram foi nada mais, nada menos do que estar gravando ali e questionando a ação da Brigada Militar. E quando o PM decide que vai para cima e vai dar voz de prisão para elas, começa uma sessão de tortura, é isso que aconteceu, uma sessão de tortura — narrou.
Wellington Porto, coordenador-geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estava no local e afirma que duas mulheres, as que viriam a ser detidas depois, caminhavam pela calçada quando foram alcançadas pelos policiais. Conforme o relato, em torno de 1h, os agentes puxaram as mulheres e anunciaram a detenção. O motivo seria um suposto ato de desacato que teria acontecido antes.
— Começou um caos porque amigos e pessoas que estavam em um bar se revoltaram com a truculência da BM e começaram a reagir. Foi uma violência descabida e desproporcional. Temos denunciado há tempos, mas, dessa vez, subiram o tom de forma violenta. Agrediram muito — diz Porto, que acompanhou pessoas até o Hospital de Pronto Socorro na madrugada, após a ocorrência.
Ele afirma que foram feitos disparos com balas de borracha e bomba de gás lacrimogênio.
A BM comentou o caso em nota. A corporação está com policiamento reforçado no bairro boêmio da Capital no período de Carnaval. Confira a íntegra da manifestação:
"A Brigada Militar, através do 9º BPM, informa que na madrugada deste sábado (1º), no bairro Cidade Baixa, durante o transcorrer da Operação Carnaval, ocorreu uma desordem envolvendo diversas pessoas que estavam obstruindo a via, sendo necessária a intervenção dos policiais militares no local.
Diante da hostilidade crescente e da tentativa de invasão do perímetro policial por populares, foram necessárias ações com o intuito de controlar e conter as agressões, a fim de restabelecer a ordem e a segurança pública, bem como preservar a integridade das pessoas, do patrimônio, das guarnições e de toda população presente no local. Informamos que, de imediato, foi instaurado Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e a Corregedoria-Geral da Brigada Militar está acompanhando as investigações sobre o caso."