O violento temporal que atingiu Porto Alegre e parte da Região Metropolitana na segunda-feira à tarde volta a demonstrar que persistem falhas nos sistemas de alerta, na prevenção e na resposta a eventos climáticos extremos. Por sorte foi um episódio que, a despeito da força, ocorreu de forma isolada, sem estragos disseminados pelo Estado. Ainda assim, reforça que, quase um ano depois da enchente catastrófica de maio de 2024, segue-se longe do necessário em termos de preparação e reação.
Ao longo do dia, é fato, a Defesa Civil do Estado emitiu alertas sobre o risco de chuva e vento fortes. Mas foram avisos que não destoaram muito de advertências em dias anteriores, em casos que sequer a precipitação prevista ocorreu. Os alertas, portanto, não foram ajustados à magnitude da tempestade que chegava à Capital e municípios vizinhos, com rajadas de vento de mais de 100 km/h. É preciso calibrar melhor os avisos meteorológicos, o que também contribui para a própria população levar a sério os informes e se precaver de forma adequada, evitando estar nas ruas ou no trânsito, por exemplo. Novos equipamentos foram adquiridos e instalados pelo Piratini para aperfeiçoar as advertências da chegada de tempo severo. O episódio de segunda-feira mostra que ainda falta precisão aos alertas.
Também deixou a desejar a preparação do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Porto Alegre. A direção da autarquia alega que ocorreu um problema pontual na casa de bombas 16, que serve a bairros como o Menino Deus, onde dois geradores instalados que deveriam ser acionados automaticamente não ligaram. Mesmo que a pane tenha sido localizada, sem uma falência generalizada do sistema, como ocorreu na cheia de maio do ano passado, não é razoável que um sistema recém instalado falhe tão cedo.
Nos transportes, a população voltou a enfrentar transtornos e desrespeito. A operação do trensurb entre as estações Mercado e Canoas foi interrompida devido ao temporal. Os passageiros, além de não contarem com o serviço, permaneceram um longo período sem qualquer informação da empresa. Ainda tiveram de aguardar em alguns casos mais de quatro horas até conseguirem embarcar nos ônibus providenciados pela estatal federal para os usuários percorrerem o trecho.
Por fim, segue longe do aceitável a velocidade de resposta da CEEE Equatorial para o restabelecimento da energia. Não apenas para as residências e estabelecimentos, mas para as estações de tratamento de água da Capital e semáforos. A direção da companhia que assumiu a concessão em julho de 2021 diz que ainda vai levar outros dois ou três anos para existirem condições de enfrentar melhor as tempestades recorrentes. Por um bom tempo, portanto, restará aos cidadãos apenas reclamar. Até porque a fiscalização dos órgãos reguladores, ao cabo, mostra-se inócua.
Os gaúchos estão fartos de saber que o Estado sofrerá cada vez mais com eventos extremos. Também estão cansados de escutar promessas de autoridades sobre prevenção, enquanto a cada novo temporal o despreparo reaparece. Mas a mobilização da sociedade não deve esmorecer. Diante dos prognósticos, é mandatório ao Rio Grande do Sul ser modelar na resiliência climática. _