
Praia, sol, mar, passeios ao ar livre, pessoas mais alegres. Mosquitos, calor excessivo, suor, noites mal dormidas. Se o verão e suas altas temperaturas proporcionam bons momentos, são também capazes de gerar um tremendo desconforto.
O corpo sofre: queda de pressão, desidratação, insolação, edemas nos membros inferiores, suor em demasia e cãibras fazem parte do rol de problemas relacionados ao calor excessivo. E são indicativos de que o organismo pode estar a um passo de entrar colapso. A começar pela transpiração em excesso.
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– Suar muito quando há exposição ao calor significa que o corpo está com a temperatura aumentada, o que não é um bom sinal. É preciso tomar uma atitude – diz o chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento, Sergio Brodt.
Exceto em situações extremas, o suor é bem-vindo, pois cabe a ele dissipar o calor do corpo, regulando a temperatura interna e evitando desajustes nas funções orgânicas. Esse mecanismo é chamado de termorregulação.
– O calor resultante do metabolismo corporal é liberado pelos músculos esqueléticos e transferido da parte central do organismo para a pele, onde é dissipado, principalmente, pela evaporação do suor – explica Brodt.
Por isso, para sobreviver ao verão, é preciso alguns cuidados especiais com a saúde. O primeiro deles é lembrar-se de que toda a perda de líquido deve ser compensada. Somadas, a exposição às altas temperaturas, a pouca hidratação e a falta de cuidados podem resultar de secura das mucosas até convulsões.
– À medida em que a gente não ingeriu água e esse calor segue, tudo aumenta de proporção. A capacidade de reter líquido se esgota, começa a cair a pressão sanguínea, o coração bate mais rápido para compensar, e a pessoa pode entrar em colapso. Com a baixa perfusão de sangue no cérebro, pode ocorrer delírio, crise convulsiva, desmaio e até estado de coma – alerta o médico do Hospital Moinhos de Vento Sergio Brodt.
Em casos de queda de pressão, a dica é diferente do conhecimento popular, que prega baixar a cabeça para que o sangue retorne ao cérebro.
– O indicado é a pessoa deitar e elevar as pernas, para que esse sangue aumente o retorno para o coração, que o redistribui pelo corpo – sugere o especialista.
Esse mesmo procedimento deve ser adotado em casos de edemas provocados pelas altas temperaturas. Como nossos vasos, especialmente os das extremidades, se dilatam com o calor, é comum o inchaço dos membros inferiores. O coordenador do Ambulatório de Doenças Arteriais do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Araújo Pereira, indica, ainda, reduzir o consumo de sal e de bebidas alcoólicas e evitar permanecer muito tempo na mesma posição.
– Não recomendo uso de diuréticos para reduzir o inchaço quando não há outra causa secundária para o problema – destaca Pereira.
Sem esses cuidados, não se descarta a hipótese de ruptura superficial da pele e infecção, também chamada de erisipela.
Exercício físico
Praticar atividades físicas é fundamental para a saúde, mas é preciso ir com calma nos dias quentes. Nada de se exercitar no sol forte: opte sempre pelo começa da manhã ou pelo final da tarde. Lembre-se de que o gasto metabólico é proporcional à temperatura, com maior risco de desidratação e fraqueza, às vezes sem que a pessoa perceba. Tenha sempre uma garrafa de água à mão e, nos dias de muito calor, reduza a intensidade das atividades com a qual está acostumado.
Sono
Dormir bem sem contar com ar-condicionado no quarto é praticamente impossível nas noites de calor extremo. Uma dica para amenizar o sofrimento é manter a casa hermeticamente fechada durante o dia, quando estiver fora, abrindo-a apenas à noite, quando o ar externo está mais fresco. Também funciona colocar uma bacia de água perto da cabeceira da cama.
Sua excelência, a pele
Calor é sinônimo de corpo à mostra. E todo mundo quer transpirar beleza, de preferência com um bronzeado uniforme – a tão famosa "cor do verão" . Mas o encontro entre pele à mostra e sol forte nem sempre produz esse resultado. Com frequência, acaba em vermelhidão, queimaduras, bolhas, fungos e até mesmo câncer.
– O principal de tudo é não torrar a pele, não se expor sem protetor. Principalmente aqui no Sul, onde há muita gente de origem europeia e o verão é muito curto. O pessoal não está acostumado e acaba tomando um torrão – alerta o dermatologista Sergio Celia.
Baixa umidade
Além do calor extremo, outro problema comum no verão e que pode afetar a saúde é a baixa umidade do ar. Isso pode gerar irritações na vias respiratórias, resultando em desconforto nos olhos, no nariz e na boca. Até para caminhar fica mais difícil, porque o fôlego acaba mais rápido. Veja o que fazer para evitar complicações.
Entre 40% e 70%: ideal
Entre 20% e 30%: estado de atenção
O que fazer:
– Evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h
– Umidificar o ambiente com vaporizadores, toalhas molhadas ou bacias com água
– Permanecer em locais protegidos do sol
– Aumentar o consumo de água
Entre 12% e 20%: estado de alerta
O que fazer:
– Evitar exercícios físicos e trabalhos ao ar livre entre 10h e 16h
– Evitar aglomerações em ambientes fechados
– Usar soro fisiológico para olhos e narinas
– Passar cremes hidratantes no corpo para renovar a umidade da pele
Abaixo de 12%: estado de emergência
O que fazer:
– Interromper qualquer atividade ao ar livre entre 10h e 16h, como aulas de educação física e deslocamento a pé
– Evitar atividades que exijam aglomerações em recintos fechados sem umidificadores
– Durante as tardes, manter com umidade os ambientes internos, principalmente quarto de crianças, idosos e hospitais
– Manter sempre uma garrafinha de água para a hidratação