
As novas tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2), impactaram diretamente o mercado global e atingiram em cheio as grandes empresas de tecnologia nesta quinta-feira (3).
A medida do governo americano, que estabelece tarifas entre 10% e 49% para produtos importados, gerou reações negativas na bolsa de valores, com quedas expressivas nas ações de algumas das principais big techs, conforme a Reuters.
Entre as mais afetadas está a Apple, com uma desvalorização de 9,67% no fechamento do mercado. Outras gigantes, como Nvidia, Tesla, Amazon e Meta, também sofreram recuos significativos.
Como as tarifas impactaram as big techs

A nova política tarifária de Trump varia conforme a origem dos produtos. As taxas começam em 10%, como é o caso do Brasil, mas sobem para 20% na Europa, 34% na China e chegam ao patamar máximo de 49% em países como Camboja, Laos e Lesoto.
O reflexo no mercado foi imediato. Ao final do pregão de quarta-feira, as principais empresas do setor de tecnologia registraram perdas expressivas.
Confira a lista das mais impactadas:
- Apple: queda de 9,68%
- Amazon: queda de 8,99%
- Nvidia: queda de 7,87%
- Meta: queda de 7,33%
- Tesla: queda de 7%
- Alphabet (Google): queda de 4,72%
- Microsoft: queda de 3,01%
Por que as empresas americanas foram afetadas?
Apesar de serem empresas dos Estados Unidos, as big techs são altamente dependentes de componentes e manufatura estrangeira.
A Apple, por exemplo, produz grande parte de seus dispositivos na China e em outros países asiáticos. Com as novas tarifas, aumenta a preocupação com possíveis repasses de custos ao consumidor final.
Já a Nvidia, que fabrica chips em Taiwan e monta os seus sistemas de inteligência artificial no México, também pode enfrentar custos mais altos devido à diferenciação das tarifas por região.
iPhone pode ficar mais caro?
A Apple pode ser uma das empresas mais afetadas pelo tarifaço, pois os novos impostos atingem em cheio a cadeia de produção de produtos como iPhone, iPad e Apple Watch.
Além das tarifas de 20% sobre a China, Trump anunciou uma taxação de 46% sobre o Vietnã e 26% sobre a Índia. Os três países são pilares na fabricação dos dispositivos da Apple.
Com esse cenário, a empresa tem dois caminhos: absorver os custos, reduzindo a sua margem de lucro, ou repassar os aumentos ao consumidor, tornando os seus produtos mais caros.
Medidas fazem parte de um pacote maior
As tarifas impostas nesta semana fazem parte de uma série de sanções comerciais implementadas por Trump desde o início de seu segundo mandato, em 20 de janeiro.
No mesmo pronunciamento de quarta-feira, o presidente confirmou que as tarifas de 25% sobre automóveis importados entram em vigor já nesta quinta-feira (3).
Entre as medidas adotadas nos últimos meses, estão:
- Tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio, em vigor desde março
- Tarifa de 25% sobre o petróleo e gás importados da Venezuela
- Tarifas adicionais de 20% sobre a China
- Taxação ainda indefinida sobre medicamentos importados
- Tarifas de 25% sobre algumas importações do México e do Canadá que não se enquadram no acordo USMCA
Como o Brasil reagiu às novas tarifas
O governo brasileiro já vinha sinalizando que poderia adotar medidas de retaliação caso as novas tarifas impactassem a competitividade do país.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, e Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, afirmaram que buscarão diálogo antes de uma resposta mais contundente.
Ainda na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o chamado PL da Reciprocidade, projeto de lei que autoriza o governo federal a aplicar contramedidas comerciais a países que adotem barreiras às exportações brasileiras. O texto agora segue para sanção presidencial.
O projeto prevê que o Brasil poderá retaliar medidas unilaterais que prejudiquem setores estratégicos da economia nacional, como sobretaxas comerciais ou restrições ambientais sobre produtos de origem florestal.