
Falar sobre a própria sexualidade ainda é muito difícil para muitas pessoas, assim como pode parecer impossível aproveitar o sexo e sentir prazer. É sobre isso que a sexóloga Cátia Damasceno falará na turnê Estratégias para Alcançar o Próximo Nível na Cama, que passará pelo Rio Grande do Sul em março.
A turnê começa no dia 5 de março, no Salão de Atos da PUCRS, em Porto Alegre, e segue por outras cidades gaúchas: no dia 6, em Lajeado; dia 7, em Caxias do Sul; dia 8, em Santa Maria; e encerra no dia 9 de março, em Pelotas.
Com mais de 13 milhões de seguidores nas redes sociais, Cátia é conhecida por seu estilo irreverente e sem pudores ao falar sobre sexo, abordando temas como fetiches, uso de sex toys, relacionamentos, maneiras de sentir prazer na cama (ou onde a pessoa preferir), entre outros.
Quem transa bem não enche o saco de ninguém
CÁTIA DAMASCENO
Sexóloga e influenciadora
Confira, a seguir, algumas dicas que a sexóloga compartilhou em entrevista ao Timeline (ouça na íntegra abaixo), da Rádio Gaúcha, nesta sexta-feira (21).
Confira alguns trechos da entrevista
Tem gente que não gosta de sexo?
Existe uma pequena parte da população que são os assexuados, que realmente não sentem necessidade de ter sexo. Só que tem muita gente que não gosta, principalmente mulheres, porque sentem algum tipo de dor, de desconforto, falta de conhecimento corporal. Por isso que a pauta da sexualidade é tão interessante.
Pesquisas estão mostrando que as pessoas fazem menos sexo hoje. Isso significa menos felicidade nos relacionamentos ou não necessariamente?
As pessoas estão fazendo menos sexo, sim. Porque eles estão mais digitais. A gente veio de uma relação pós-pandemia também, então isso também influenciou. E a galera aprendeu a viver ali no seu celularzinho, cada um no seu canto. Uma coisa boa que isso trouxe foi o uso dos brinquedinhos (sexuais), porque se já tem ali o brinquedinho, vou sair de casa para quê? Rola uma preguicinha generalizada. A digitalização da sexualidade está acontecendo assim, um afastamento das pessoas.
Não acho que haja uma diminuição da felicidade, não em relação ao sexo. Porque quando a gente faz, é bom, é gostoso. Mas a gente sabe os problemas que a ansiedade causa, principalmente nos homens, problemas como ejaculação precoce, falta de ereção.
Sexo é contato, pele, carinho, beijo na boca. Enquanto a gente tiver na cabeça que sexo é pênis, vagina, apenas penetração, a gente está levando a nossa sexualidade para poucos centímetros do nosso corpo.
Existe casamento bom com sexo ruim?
Não. Não consigo nem titubear. Sempre digo assim, as pessoas me perguntam: qual a importância do sexo dentro do relacionamento? E sempre digo, depende. Se o sexo é bom, ele tem um baixo percentual ali dentro do relacionamento. Agora, quando o sexo é ruim, ele pode representar até 100% desse relacionamento. As pessoas se separam por falta de sexo. As pessoas traem por falta de sexo.
O sexo se torna ruim? O que faz ele piorar?
Não é o sexo. É a falta de interesse em simplesmente estar naquela relação. Então o que faz a gente dar errado na cama não é o que acontece na cama. São os nossos comportamentos fora dela. É o nosso dia a dia, é a falta de conversa, é a falta de diálogo. Gente, fazer sexo é fácil. Conversar sobre sexo é que é difícil.
Quinze minutos de sexo é demais, né? É uma devassidão!
Da hora que começa a beijar na boca até a hora que termina, dá 15 minutos. Não é 15 minutos de "tchaca-tchaca na butchaca". A gente tem o ciclo da resposta sexual: desejo, excitação, orgasmo e resolução. O que acontece no homem? O desejo é mais rápido, a excitação, a ereção acontece mais rápido. Infelizmente, algumas vezes, o orgasmo acontece até rápido demais. A mulher, ela demora um pouquinho mais até o desejo, um pouquinho mais até a excitação, mas depois que ela tem um orgasmo, rapidamente ela tem outro.
Enquanto a gente tiver na cabeça que sexo é apenas penetração, a gente está levando a nossa sexualidade para poucos centímetros do nosso corpo.
CÁTIA DAMASCENO
Sexóloga e influenciadora
Uma dica aqui para os nossos ouvintes, para os homens aí. Nada na mulher é óbvio.
Para os homens é tudo óbvio. A gente não é assim. Então, vai pelo não óbvio. Vai dar uma namoradinha? Não chega direto no mamilo, faz um carinho em volta, ao redor. Depois faz uma carícia. Aí depois, você vem com a boquinha e faz um beijinho. Pô, isso já deixa a gente muito mais excitada.
Por que falhar ainda é um tabu tão grande?
Se o pênis não está ereto, parece que o homem não tem vigor, não tem vontade. Todo mundo tem problemas. Às vezes é só porque o cara estava cheio de problemas na cabeça. Por que eles têm tanto medo e tanto receio de falhar? É tão natural quanto a morte. Isso é humano.
É muito importante que as mulheres também tratem isso com naturalidade, porque senão na hora da relação, fica uma cobrança ainda maior. A gente precisa entender que tem dia que a mulher não está afim, não vai lubrificar, tem dia que o cara está afim e o pênis não vai ficar com uma ereção.
O mundo seria um lugar melhor se as pessoas fizessem mais sexo?
Com certeza. Quem transa bem não enche o saco de ninguém. Depois que deu uma namorada bem boa, que acabou exausto, você vai trabalhar de manhã cedo e a pessoa cruza seu trânsito e fala bom dia. O orgasmo é uma liberação de hormônio do bem.
Nosso corpo é uma fonte de prazer inesgotável. A gente só precisa se permitir desfrutá-lo.
CÁTIA DAMASCENO
Sexóloga e influenciadora
Qual é hoje o fetiche da moda no Brasil?
Da moda? Da eternidade. Esse daí vem desde que o mundo é mundo, que é o quê? O "donuts". O buraco. Há uma curiosidade a respeito do assunto muito grande. É impressionante. De todos os públicos. Uma curiosidade no sentido assim, se vai ser bom para mim mesmo ou se vai ser bom pro outro?
Os homens estão se despindo de preconceitos sobre sexo anal?
Não, ainda tem bastante. Mas já há uma conversa a respeito do assunto de quem quer experimentar. Tem um monte de mulher que é curiosa de saber "e se eu fizer nele?". Se a gente pensar fisiologicamente está correto.
Inclusive, ouso dizer que os homens sentem muito mais prazer no sexo anal do que as mulheres, porque eles têm a próstata, os gays se permitem ter um orgasmo anal maravilhoso. Aí o hétero não vai permitir, mas o corpo tem as mesmas funções, o mesmo intuitivo. O nosso corpo é uma fonte de prazer inesgotável. A gente só precisa se permitir desfrutá-lo.
Algumas mulheres reclamam por uma atitude mais incisiva. Mas, ao mesmo tempo, os caras têm certo receio de ser incisivo demais. Qual é a tua avaliação sobre isso e para onde a gente precisa avançar para ficar melhor?
Educação e galanteio nunca fazem mal a ninguém. Quando a gente chega com vontade, com verdade, mas com educação e com respeito a gente consegue chegar em qualquer pessoa. As pessoas hoje vêm sem atitude. Então, larga um pouco a tela, vamos mais para o presencial.
Sobre os três segundos para conquistar uma pessoa. Isso é estatístico? Isso é comprovado?
Neurocientificamente. Três segundos de encarada. A gente pensa que é pouquinho, mas não é tão pouco. Se a pessoa continuar olhando pode ir que não é assédio. Ela correspondeu ao seu olhar, pode se aproximar.