A exposição Vísceras — Corpo e Existência, do escultor Leo Stockinger, neto de Xico Stockinger, será inaugurada nesta quinta-feira (3) na Galeria Stockinger, em Porto Alegre. A exibição integra o Projeto Portas Abertas, promovido pela Fundação Bienal do Mercosul. O vernissage será das 19h às 21h.
O artista já participou de exposições coletivas em Brasília e Paraty, no Rio de Janeiro, e vive desde 2005 na Austrália. Sua produção transita entre a tradição da escultura e a experimentação com novos materiais, incorporando influências da arte asiática, ocidental contemporânea e da cultura indígena australiana.
Serão cerca de 20 peças expostas ao público, sendo que as menores vieram com o artista na viagem de avião da Austrália. Os visitantes poderão tocar e interagir com o que estiver na mostra.
Paixão pela escultura
Tendo o avô como mestre, aprendeu no ateliê a criar obras em modelagem, escultura em pedra e solda. Também estudou o ofício na National Art School de Sydney.
— Trabalho com esculturas, é o meu foco e paixão. Acho que pela minha experiência com meu avô, desde muito novo eu tinha a escultura quase como um brinquedo. Então, tenho uma ligação muito pessoal com escultura e uma análise muito íntima — afirma Leo, 44 anos.
O artista trabalha com materiais como troncos de árvores encontrados à deriva na natureza. Alguns foram recolhidos na praia, outros na orla do Guaíba e outra parte veio do sítio da família em Bagé, na região da Campanha.
— Gosto da linguagem do material. Esses troncos têm 20 anos e são a parte da vida real de uma escultura quando eu os adiciono. Então, levanto esse tronco para a vida. Esse é o conceito — diz.
Arte que fala com cada um
A série Vísceras — Corpo e Existência surgiu a partir da descoberta de um material vermelho de aspecto molhado e com plasticidade — um adesivo que evocava a matéria viva da carne e das vísceras. Leo atua na construção civil e aproveita a profissão para pesquisar os materiais que utiliza durante o processo de criação artística.
— Essa substância é uma chumbação química, utilizada para a fixação de âncoras no concreto na construção civil. É uma cola com altas propriedades — detalha o escultor.
A fusão desses elementos originou um novo corpo escultórico, em que madeira e adesivo se unem como se fossem costurados, ressignificando a matéria por meio de um trabalho único.
— Tem um nível de desconforto que eu quero trazer, mas quero também a curiosidade para a pessoa continuar olhando. Quero que a experiência seja pessoal. Não é o que eu vou dizer sobre o mundo cheio de narrativas. Quero que a arte fale pessoalmente com cada um — compartilha o autor sobre o que espera da exibição.
Acho que pela minha experiência com meu avô, desde muito novo eu tinha a escultura quase como um brinquedo
LEO STOCKINGER
Escultor
A exposição conta com textos assinados pelo crítico de arte Jacob Klintowitz e pelo artista Tom Isaacs, de Sydney, que refletem sobre a poética e o impacto do trabalho de Leo Stockinger. A curadoria é da artista visual Giordana Winckler.
Exposição "Vísceras — Corpo e Existência", de Leo Stockinger
- Abertura: nesta quinta-feira (3), das 19h às 21h
- Visitação: de terça a sexta, das 13h30min às 18h30min, e sábados, das 9h às 13h, até 28 de abril
- Local: Galeria Stockinger (Rua Luciana de Abreu, 450, bairro Moinhos de Vento), em Porto Alegre
- Entrada gratuita