Um dos precursores do modernismo no Rio Grande do Sul será tema de um livro de arte e de uma baita exposição (gratuita!) em Porto Alegre. Estou falando de Trindade Leal, artista nascido em Sant'Ana do Livramento, que percorreu o Brasil e teve projeção no cenário nacional. Ele partiu em 2013, mas a obra segue viva.
Com curadoria do historiador da arte José Francisco Alves, a mostra Trindade Leal – Moderno Fronteiriço será aberta ao público nesta quinta-feira (3) na Casa da Memória Unimed Federação-RS. São cerca de 100 peças, entre pinturas, gravuras e desenhos, produzidos entre o final da década de 1940 e 2013.
Depois disso, no dia 5 de abril, sábado, será lançado no mesmo local o livro sobre o pintor, gravador e desenhista, também assinado por José Francisco Alves.
Com título homônimo ao da exposição, o trabalho presta uma homenagem póstuma a Trindade, destacando a trajetória, as fases plásticas e os principais temas do criador ao longo da carreira.
Na lista, entra, é claro, a cultura gaúcha, a partir da vivência do pintor na Fazenda Olaria, que pertencia a familiares no interior de Livramento. A experiência acabaria pautando a temática gauchesca nos traços do artista, inclusive com duas belas obras no acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).
Apoio fundamental
O projeto não envolveu nenhum centavo em recursos públicos. Foi viabilizado graças ao apoio da Unimed e a dois parceiros fundamentais: Daniel Chaieb, um dos mais respeitados leiloeiros do Estado (da Daniel Chaieb Agência de Leilões), que comprou o acervo do artista, e o advogado tributarista Rafael Pandolfo, admirador da arte e sócio-fundador do escritório Rafael Pandolfo Advogados Associados.
Em um cenário de escassez de publicações abrangentes sobre nossos artistas históricos, a obra torna-se ainda mais relevante. O autor lembra que o último grande livro do gênero lançado no RS foi Stockinger – Vida e Obra, sobre Xico Stockinger (que inclusive era amigo de Trindade) escrito por José Francisco em 2012.
— É muito difícil a gente ver livros dedicados a artistas, por isso é tão importante essa nova publicação e a exposição. Trindade Leal foi importante e deixou uma marca — diz o autor.
Sobre o artista
- Nascido em Sant'Ana do Livramento (1927), Trindade Leal foi um dos precursores do modernismo no Rio Grande do Sul
- Criado em Porto Alegre e São Paulo, teve formação artística autodidata (detalhe: ele foi recusado pelos acadêmicos do Instituto de Belas Artes do RS)
- A carreira profissional começou em São Paulo, no 1.º Salão Paulista de Arte Moderna, em 1951
- A partir de 1952, ele começou suas andanças pelo Brasil, em especial na Bahia, onde se deu conta de que os temas regionais estavam representados na arte moderna baiana
- Quando voltou ao RS, mergulhou na cultura gaúcha, a partir da vivência na Fazenda Olaria, de parentes no interior de Livramento, pautando seus temas gauchescos na pintura e no desenho
- Em Porto Alegre, começou na cenografia teatral. Depois, novamente radicado em São Paulo, foi cenógrafo na TV Tupi
- Suas mais importantes participações e atividades foram em São Paulo, entre 1951 e 70, na Bienal de São Paulo, no Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, no Museu de Arte Moderna, na FAAP e na TV Tupi
- Além dos temas regionais gauchescos, foram diversas as suas fases. Entre elas, o erotismo, as temáticas fantásticas – como a famosa série “Lobisome” – e o lirismo de suas memórias de infância; esta última, sua maior produção em tempo e número de obras, entre princípios da década de 1970 até o seu falecimento, em 2013
Serviço
Livro

- O quê: lançamento do livro Trindade Leal – Moderno Fronteiriço (português e inglês). Será vendido somente no lançamento, tiragem limitada. Valor: R$ 150
- Quando: 5 de abril (sábado), às 10h
- Onde: na Casa da Memória Unimed Federação-RS, na Rua Santa Terezinha, 263 – Bairro Farroupilha, Porto Alegre
- Quanto: entrada franca
Exposição
- O quê: exposição Trindade Leal – Moderno Fronteiriço
- Quando: estará em exibição nos horários da Casa da Memória entre 3 de abril e 3 de maio, de segundas a sextas, das 13h às 18h. Aos sábados, abrirá apenas para o lançamento (5 de abril) e no dia do encerramento da exposição, 3 de maio
- Onde: na Casa da Memória Unimed Federação/RS
- Quanto: entrada franca