
Nada contra novos veículos de comunicação ou mesmo influenciadores terem acesso às coletivas de imprensa de um governante. O que não é saudável para a democracia é o próprio governo escolher quem pode e quem não pode cobrir seu mandato. É o que a administração Donald Trump está pensando em fazer, segundo admitiu a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, na segunda-feira (31).
Historicamente, o mapa de assentos da famosa James S. Brady Press Briefing Room, a sala onde ocorrem as entrevistas coletivas da sede da presidência americana, é definido pela Associação dos Correspondentes da Casa Branca (WHCA). Conforme Karoline explicou, o governo pretende assumir essa função —ou seja, fazer ele próprio a peneira de quem entra e quem sai.
O argumento do governo é que a atual configuração do corpo de imprensa não traduz a diversidade do atual ecossistema de comunicação nos EUA. Leia-se: "Há veículos de jornalismo por demais críticos a Trump, precisamos de jornais favoráveis ao governo".
Nas primeiras fileiras, costumam estar jornalistas de grandes emissoras de TV, como CNN, NBC, Fox News, de agências internacionais e de jornais, como The New York Times, The Washington Post e The Wall Street Journal.
Mas não basta só aumentar o número de cadeiras? O espaço é pequeno, dirá a Casa Branca. São 49 lugares. Mas o real motivo da eventual mudança não é esse.
Trata-se de um novo passo de Trump para tentar controlar a informação. Recentemente, a Casa Branca já assumiu atribuições que eram da WHCA, como escolher os órgãos de imprensa que podem — e principalmente os que não podem — viajar no avião presidencial e os veículos que podem adentrar no Salão Oval.
Nesses casos, incluiu jornais que, em muitos casos, fazem cobertura favorável a Trump. Em outra investida contra o jornalismo profissional, o governo impede acesso de repórteres da Associated Press a eventos presidenciais porque a empresa se nega a chamar o Golfo do México de "Golfo da América", conforme determinado por Trump.