
Sou fã de minisséries, porque elas permitem a seus criadores e seus atores desenvolverem as tramas e os personagens sem roubar tempo demais do espectador.
Com quatro, cinco ou seis episódios, essas produções podem ser maratonadas em um único dia.
A lista a seguir traz cinco dicas que foram lançadas em 2025 e que estão disponíveis na Netflix. Dá para fazer uma pequena volta ao mundo. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Adolescência (2025)

É o fenômeno de audiência e repercussão da temporada — se você ainda não viu, este é o momento.
Com quatro episódios dirigidos pelo britânico Philip Barantini, cada um em um único plano-sequência, Adolescência tem como ponto de partida a prisão de um garoto de 13 anos, Jamie Miller (em uma interpretação assombrosa do estreante Owen Cooper), que é acusado de assassinar uma menina.
A minissérie ilustra o abismo que há entre os adultos e os adolescentes, que têm urgências, inseguranças e explosões de hormônios e sentimentos potencializadas na era do Instagram e do TikTok. Mostra como o bullying digital e as expectativas sobre a masculinidade podem criar situações de perigo — ou algo pior. A trama permite a pais e professores espiarem pelo buraco da fechadura. Ao mesmo tempo, oferece um espelho: na vida atribulada, distante e remota dos tempos atuais, estamos conseguindo dar amparo e orientação para nossos filhos? Estamos sendo um exemplo positivo?
2) Os Assassinatos de Åre (2025)

Nas séries policiais nórdicas, como esta minissérie da Suécia, as condições climáticas e as paisagens geladas são personagens à parte. A neve tanto funciona como um símbolo de isolamento e opressão quanto sugere que há fatos e sentimentos ocultos. O figurino do elenco de carne e osso, com casacos, mantas e gorros, aumenta a carga de mistério. O frio não freia a violência, e o branco da neve intensifica o vermelho do sangue.
As histórias costumam reunir crimes bárbaros, pistas intrigantes, personagens ambíguos, múltiplos suspeitos, segredos do passado e policiais com problemas. Não raro, abordam também relações familiares, bastidores políticos e chagas sociais.
Os Assassinatos de Åre tem quase todos esses ingredientes. Com direção de Alain Darborg e Joakim Eliasson, os cinco episódios adaptam dois livros da escritora Viveca Sten. No primeiro caso, a detetive Hanna Ahlander (papel de Carla Sehn) encerra suas férias forçadas após o aparecimento de um cadáver no teleférico da estação de esqui de uma cidadezinha turística. A segunda trama começa com a descoberta de uma cabeça enterrada na neve, perto dos trilhos de uma ferrovia.
3) Cassandra (2025)

Assinada por Benjamin Gutsche, a minissérie alemã em seis episódios mistura elementos de terror, suspense psicológico e ficção científica, atraindo fãs de séries como Black Mirror.
Na trama, a família Prill decide recomeçar sua vida em um casarão isolado no interior da Alemanha após uma grande perda. O que deveria ser uma nova chance de vida, porém, se transforma em um pesadelo quando eles descobrem que a casa é controlada por Cassandra (Lavinia Wilson), uma assistente virtual que estava inativa havia 50 anos.
A minissérie aborda questões como privacidade, ética tecnológica e os perigos da inteligência artificial. Mas não só isso: Cassandra também faz uma crítica ao machismo, desconstruindo a figura do homem heroico. Os personagens masculinos são ora negligentes, ora ignorantes, ora passivos.
4) Cilada (2025)

Esta eu ainda não terminei de ver (me desculpem pela contradição!), mas recomendo mesmo assim. Trata-se da 11ª de 14 adaptações previstas pela Netflix das histórias policiais escritas pelo estadunidense Harlan Coben (o mesmo de, por exemplo, a inglesa Não Fale com Estranhos e a espanhola O Inocente). E é a primeira ambientada na Argentina.
Os seis episódios foram dirigidos por Miguel Cohan. Atriz do filme O Segredo dos seus Olhos (2009), vencedor do Oscar internacional, Soledad Villamil interpreta a jornalista investigativa Ema Garay. Ela trabalha para desmascarar um homem que se disfarça de adolescente em um videogame para abusar de meninas menores de idade.
A paisagem florestal e glacial de Bariloche, na região da Patagônia, combina bem com as tramas típicas de Coben, cheias de segredos, mistérios e armadilhas. O passado é sempre um fantasma, e reviravoltas chegam a ser rotineiras. Como de costume, o final de cada capítulo tem um gancho que torna irresistível o clique no próximo.
5) Dia Zero (2025)

A tensão mundial por causa das guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e o Hamas e a radicalização da polarização partidária nos EUA engrossaram o caldo cultural onde são gestadas séries sobre atentados terroristas, ameaças nucleares, agentes secretos e conspirações políticas. A lista inclui Slow Horses, The Old Man, O Agente Noturno, Operação: Lioness, A Agência, O Dia do Chacal, Paradise e Dia Zero. Que está longe de ganhar um 10, mas se segura como passatempo.
Dirigida por Lesli Linka Glatter, premiada por Homeland (2011-2020), a minissérie em seis episódios é protagonizada por Robert De Niro. Ele faz um ex-presidente estadunidense que precisa voltar à ativa depois de um devastador ataque cibernético que causou o caos no país e milhares de mortes, por causa da pane nos sistemas de transporte e nos hospitais. Todos os celulares receberam a mesma mensagem assustadora: "Isso vai acontecer de novo". Quem está por trás: os russos? Os chineses? Extremistas do próprio país? Hackers anarquistas?
Formada para investigar o caso e evitar uma nova tragédia, a Comissão do Dia Zero terá de fazer a reflexão que aflige os EUA desde o 11 de Setembro: situações extremas autorizam medidas extremas? No pacote, estão invasão de privacidade, prisões arbitrárias e tortura. E há uma outra questão levantada pela série, essa muito contemporânea: na era das fake news, da desinformação e das manipulações via inteligência artificial, como encontramos a verdade? E de que adiantam os avanços tecnológicos na vigilância se as evidências podem ser digitalmente distorcidas ou fabricadas?
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