
Os jornalistas Henrique Ternus e Paulo Egídio colaboram com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O deputado Paulo Pimenta criticou o governador Eduardo Leite pela intenção de comprar um avião a jato para o governo do Estado. Leite recuou da iniciativa na última quarta-feira (2).
Pimenta afirmou que o objetivo de Leite seria usar a aeronave em atividades pré-campanha eleitoral e mencionou que a negociação seria feita com recursos do fundo da reconstrução.
— O governador se porta como candidato. Inclusive agora, nos últimos dias, queria comprar um avião a jato com dinheiro do fundo da reconstrução para viajar pelo Brasil em pré-campanha — afirmou Pimenta, durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (4) ao lado do senador Humberto Costa (PT-PE), em Porto Alegre.
Como a entrega demoraria meses, é incerto dizer se o avião seria utilizado por Leite. Diante da aspiração de concorrer a presidente, o governador teria de renunciar ao mandato até abril de 2026.
Leite não quis comentar as declarações de Pimenta. O secretário de Comunicação, Caio Tomazeli, afirmou que a aeronave seria utilizada nas áreas de saúde e segurança e só chegaria para uso pela próxima gestão estadual.
O projeto do governo era ter um avião multimissão que, além de transportar autoridades, serviria para transporte de órgãos para doação, deslocamento de tropas da segurança pública e ajuda humanitária em caso de eventos extremos. O custo estimado era de R$ 90 milhões.
Além das críticas ao avião, Pimenta lamentou a falta de menções ao governo federal durante o anúncio do crescimento do PIB gaúcho em 2024. De acordo com o deputado, o Estado contou com R$ 100 bilhões de recursos extraordinários que ajudaram no índice positivo.
— É como se a economia do Rio Grande do Sul tivesse se recuperado por obra do Espírito Santo. Além do não pagamento da dívida do Estado, que possibilitou a criação do Funrigs, hoje não tem um centavo do orçamento do governo do Estado nas obras que têm sido anunciadas pelo governador. Nas estradas, nas pontes e assim por diante. Há um processo de narrativa muito forte.
Pregação de unidade
Cotado para disputar o Senado em 2026, o deputado evitou estipular prazo para confirmar a qual cargo será candidato.
— O esforço que deve ser feito em todo o Brasil é constituir alianças fortes dentro do campo popular, dialogando com os partidos que fazem parte da base do governo do presidente Lula. No momento certo vamos discutir a tarefa de cada um.
Pimenta defende que o momento é de construção de uma "unidade da esquerda" com todos os partidos que tenham alinhamento ideológico. Manuela D'Ávila, que tem convite do PSOL e mantém proximidade com o PT, é vista como um nome forte para consolidar esta união. Nos bastidores, ela é citada como possível candidata ao Senado.