
O fracasso de Branca de Neve (2025) — tanto de público quanto de crítica — fez sua primeira vítima. Segundo informações do site Hollywood Reporter, a Disney resolveu engavetar por tempo indeterminado a versão live-action do desenho animado Enrolados (2010).
O filme sobre a princesa Rapunzel estava em desenvolvimento ativo, embora ainda não tivesse data de início da produção nem elenco escolhido. O diretor Michael Gracey, de O Rei do Show (2017) e Better Man: A História de Robbie Williams (2024), trabalharia com a roteirista Jennifer Kaytin Robinson, coautora de Thor: Amor e Trovão (2022). Não se sabe se Enrolados passará por uma reformulação criativa.
A decisão foi tomada em meio à repercussão negativa de Branca de Neve, talvez o filme mais polêmico da Disney e candidato a ser um dos maiores prejuízos na interminável onda de refilmagens de animações clássicas, agora com atores ou em estilo realista.
Atualização de Branca de Neve e os Sete Anões (1937), o primeiro longa-metragem do estúdio, Branca de Neve já é o 17º título desde Alice no País das Maravilhas (2010), que arrecadou US$ 1 bilhão e deu sinal verde para novas produções. Outros três filmes tiveram renda bilionária: A Bela e a Fera (2017), Aladdin (2019) e O Rei Leão (2019), atualmente a décima maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 1,66 bilhão.
Os números assustadores de "Branca de Neve"

Estrelado por Rachel Zegler, com Gal Gadot no papel da Rainha Má e sem atores de verdade encarnando o célebre septeto (os personagens foram gerados por computação gráfica e jamais são chamados de anões), Branca de Neve custou cerca de US$ 270 milhões — o orçamento inflou por causa das greves de atores e roteiristas em 2023. Outros US$ 70 milhões devem ter sido empregados no marketing. Ou seja, estamos falando de US$ 340 milhões desembolsados em um abacaxi.
O desempenho nas bilheterias já pode ser considerado um desastre. Lançado mundialmente no dia 20 de março, o título dirigido por Marc Webb arrecadou somente US$ 146 milhões até agora. A regra de ouro em Hollywood é de que um filme precisa faturar pelo menos o dobro do que foi gasto na produção e na divulgação para cobrir as despesas e gerar lucro.
O live-action anterior da Disney, Mufasa: O Rei Leão (2024), superou a meta: orçado em US$ 300 milhões, somando produção e marketing, fez US$ 721 milhões nas bilheterias.
Os próximos filmes live-action da Disney

A Disney aposta no sucesso de suas duas próximas adaptações. Em maio, estreia a versão de Lilo & Stitch (2002). Durante o Super Bowl deste ano, um comercial com o monstrinho "invadindo" o campo gerou 173,1 milhões de visualizações em 24 horas, tornando-se a peça publicitária do estúdio mais vista digitalmente. O trailer, por sua vez, é o segundo mais assistido entre os live-actions da empresa.
Em julho de 2026, será a vez de Moana, que tem uma base maciça de fãs. O longa de animação original, de 2016, é um dos campeões de audiência na plataforma Disney+: ultrapassou 1,4 bilhão de horas de transmissão, o que equivale a 735 milhões de exibições. Sua continuação, o bonitinho mas esquecível Moana 2 (2024), foi a terceira maior arrecadação de 2024 nos cinemas, com US$ 1 bilhão.
Se não houver novas mudanças de planos em decorrência do fiasco de Branca de Neve, na sequência devem vir as versões de Hércules (1997), Robin Hood (1973), Os Aristogatas (1970) e Bambi (1942).
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