
A Sala Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana realiza nesta sexta-feira (4), às 19h, uma sessão de pré-estreia do premiado documentário gaúcho Memórias de um Esclerosado (2024). Depois, haverá debate com os diretores Rafael Corrêa — cartunista que tem esclerose múltipla e que também é o personagem do filme — e Thais Fernandes. No dia 8 de maio, o título entra em cartaz no circuito.
Memórias de um Esclerosado foi o grande vencedor do Cine-PE, o Festival de Recife. Em junho do ano passado, recebeu cinco Calungas: melhor filme — pelo júri e pelo público —, ator coadjuvante (para Rafael Corrêa), roteiro (escrito pelos diretores com Ma Villa Real) e trilha sonora (André Paz).
No 52º Festival de Cinema de Gramado, em agosto, ganhou quatro Kikitos na competição regional: roteiro, montagem (também assinada por Thais), desenho de som (Kiko Ferraz) e música original. E houve uma menção honrosa para Rafael.

Nascido em Rosário do Sul mas radicado em Porto Alegre há muito tempo, criador das tiras Artur, o Arteiro, autor da coletânea Até Aqui Tudo Bem (2018) e ganhador de pelo menos 50 prêmios em concursos e salões de cartum, Rafael foi diagnosticado com esclerose múltipla em 2010.
Dados o ofício e o perfil de seu personagem, o documentário tem sequências de animação e de bom humor.
Há também sonho e fantasia: a investigação de Rafael sobre seu passado nos leva ao episódio da morte de um sapo, o que pode, via carma, ser a causa de sua doença. Daí o sujeito vestido de sapo que aparece de vez em quando.

Mas Memórias de um Esclerosado começa de forma dura, acertadamente. Ao simplesmente observar o árduo e complexo processo para Rafael Corrêa tomar um banho, o filme firma nossa empatia pelo protagonista e registra o quão severos são os sintomas dessa doença degenerativa sem cura.
Rafael compara os danos neurológicos a um encanamento cheio de furos: a água, ou seja, o comando do cérebro para movimentar os músculos, não vai chegar ou vai chegar no lugar errado.

Não quero dar spoilers sobre o lindo epílogo, que é ornado pela pungente música composta por André Paz. Mas preciso dizer o desfecho mescla a realização de um sonho de Rafael com a celebração da magia do cinema.
O toque que torna tudo ainda mais emocionante é um movimento de câmera ao final da cena, revelando engrenagens do onírico.
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