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Uma escada íngreme conduz ao pavilhão D, no décimo andar do Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, conhecido como o hospital dos papas.
Fica no bairro Triunfale, em Roma, a 45 minutos de carro do Vaticano. É lá que Francisco está internado desde sábado (14) devido a uma infecção respiratória.
O apartamento privado dos papas conta com 200 metros quadrados — com quartos para acompanhantes e assistentes, equipado com móveis e uma capela.
Essa é a quarta vez que Francisco fica internado na Gemelli — 2021, devido a uma diverticulite, 2023, para tratar uma bronquite infecciosa e, depois, devido a uma obstrução intestinal, e agora, para tratar a infecção.
Conheci a Gemelli em 2005, enquanto cobria pelo Grupo RBS os funerais de João Paulo II.
São dois pavilhões reservados aos papas — o D, onde João Paulo II ficou na última vez, e o E, no qual se recuperou de um tiro no abdômen no atentado de 13 de maio de 1981. As alas são separadas por duas portas de vidro. A quatro passos dos aposentados que João Paulo II frequentou em seus últimos anos de vida, uma sala ampla costuvama amenizar o sofrimento do Pontífice: o setor de oncologia pediátrica. Era ali que o Papa polonês partilhava a sua dor com os pequenos pacientes.
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A clínica oficial do Vaticano é referência em neurocirurgia, endoscopia cirúrgica e cardiologia. Mesmo quando está recebendo um Papa, funciona como um hospital comum. No complexo da Università Cattolica del Sacro Cuore, 2 mil médicos trabalham para atender 700 leitos. No hall de entrada, um teto de vidro ilumina o saguão.
A convite dos médicos Giosue de Lorenzi e Vicenzo Giovinazzo, italianos apaixonados pelo Brasil, almocei no refeitório da Gemelli, alguns andares abaixo de onde os papas ficavam.
Criado em 1964, o nome do hospital é uma homenagem a Agostino Gemelli, teólogo franciscano que fundou a Universidade Católica na década de 1920. O terreno para o hospital foi doado pelo papa Pio 11 no início do século 20 para a Faculdade de Medicina da Universidade Sagrado Coração.