
O deputado federal Afonso Motta (PDT-RS) cumpria agenda em Passo Fundo, na manhã desta quinta-feira (13), quando foi deflagrada a Operação EmendaFest pela Polícia Federal (PF). O parlamentar decidiu retornar a Brasília imediatamente, e terá um encontro com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para avaliar as consequências da investigação.
O deputado gaúcho não foi alvo direto da operação. O chefe de gabinete dele, Lino Furtado, foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) diante da suspeita de ter recebido propina para o repasse de emendas ao Hospital Ana Nery, de Santa Cruz do Sul.
A coluna apurou que Furtado trabalhava há bastante tempo com o deputado gaúcho, sendo um de seus assessores de maior confiança. Em Brasília, ele reside no apartamento funcional de Motta, um dos alvos de buscas da PF.
Segundo a investigação, Cliver Andre Fiegenbaum, lobista e diretor afastado da Metroplan, intermediou contatos entre o hospital e o chefe de gabinete do parlamentar gaúcho. Um diálogo anexado à investigação trata do suposto recebimento de valores ilícitos por Lino.
“Os pequenos eu posso complementar e botar mais 10 em cima. Pra tu confiar na parceria e eu quero continuar com a tua parceria ano que vem. (...) Então tu tem que ver, era 400, faltou 15, te levo mais, mais 25. Isso eu tenho do meu, ai eu nem envolvo ninguém, porque eu não quero estragar a parceria e tu vai ver que nós não vamos ratear contigo”, diz um trecho de áudio enviado por Cliver ao assessor parlamentar.
Até agora, o deputado Afonso Motta se manifestou por meio de nota, em que "sustenta que nem ele nem o gabinete foram alvos da operação da PF. O parlamentar afirma que foi surpreendido e que está buscando acesso aos autos, para entender o que é investigado e se posicionar".