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O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Apesar de emplacar novo dado positivo, o emprego formal mostra sinais de uma lenta perda de ritmo no país. Após o spoiler do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em Rio Grande na segunda-feira (24), a pasta confirmou, nesta quarta-feira (26), a abertura 137,3 mil vagas com carteira assinada em janeiro. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Mesmo acima das projeções de mercado, que estimava entre 50 mil e 70 mil postos no mês, o dado de janeiro mostra desaceleração, com queda 20,7% no número de vagas na comparação com o mesmo mês do ano passado (173,2 mil).
O economista e professor da UFRGS Marcelo Portugal afirma que o acumulado de 12 meses também mostra essa perda de intensidade na geração de postos no país desde setembro do ano passado.
Portugal destaca que, em janeiro, o Brasil acumulou a criação de 1,650 milhão de postos em 12 meses — cerca de 200 mil vagas a menos do que o observado no acumulado de um ano até setembro. Parte dessa perda de fôlego ocorre diante do juro elevado, segundo o especialista:
— Está piorando agora e provavelmente vai continuar a piorar. Deve ser uma tendência. Isso está acontecendo em parte por causa do juro. O juro real no Brasil está muito alto e isso diminui o consumo, diminui o investimento. As pessoas preferem poupar ao invés de consumir e investir e isso acaba gerando essa desaceleração que a gente vê nos dados.
Os números do Caged também mostram que o salário médio de admissão em janeiro foi de R$ 2.251,33, 1,84% acima do valor registrado no mesmo mês do ano passado.
Portugal afirma que a renda média mostra tendência de alta desde 2023 diante de fatores como a nova política de reajuste do salário mínimo, período de inflação mais baixa e mercado de trabalho mais apertado. Agora, essa tendência deve inverter.
— A regra de salário mínimo mudou, a inflação vai subir e o mercado de trabalho que está apertado vai ficar menos apertado, porque o desemprego vai subir. Acho que essa tendência de aumento do salário de admissão também vai reverter — avalia o economista.
No geral, mesmo que ainda no azul, os dados da geração de emprego no país mostram tendência de uma piora no horizonte em um cenário com inflação acelerando e juro longe da queda.
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