
Como o Brasil está no piso do tarifaço anunciado na quarta-feira (2) por Donald Trump, alguns segmentos da indústria nacional começam a avaliar que será aberta uma janela de oportunidade. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), no entanto, observa que haverá impacto positivo e negativo, ao mesmo tempo.
O lado bom é que a tarifa de 10% imposta aos calçados brasileiros é menor do que a aplicada a concorrentes asiáticos — produtos de China, Vietnã e Indonésia serão taxados em até 46% ao entrarem nos EUA a partir do dia 9 – com possível prazo para negociações. Significa que o Brasil pode exportar mais para os EUA por ganho de competitividade, o que também é importante para o RS, de onde saem cerca de metade das exportações brasileiras de calçados.
O lado ruim é que China, Vietnã e Indonésia não vão deixar de produzir, ainda que percam protagonismo no mercado americano. Como os calçados terão de ser realocados, os asiáticos devem buscar fatias em mercados de outros países, diminuindo a participação brasileira em algumas regiões.
Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o próprio mercado brasileiro deve passar a ser alternativa para os asiáticos reposicionarem suas produções. Cerca de 80% dos calçados que entram no Brasil já vêm da região, conforme cálculo da entidade.
“Por isso, torna-se ainda mais importante a adoção de mecanismos antidumping (medida de proteção comercial) contra Vietnã e Indonésia, para evitar concorrência desleal no varejo brasileiro”, afirma Ferreira, em nota.
A nova tarifa
Dados levantados pela Abicalçados apontam que, com a tarifa adicional de 10%, o imposto de importação para calçados brasileiros nos Estados Unidos passará de 17,3% para 27,3%, em média.
Conforme a entidade, o Brasil detém apenas 0,5% do mercado americano de importação de calçados, enquanto China tem 58%, Vietnã, 24%, e Indonésia, 8%. É onde está o potencial para crescer.
*Colaborou João Pedro Cecchini