
"Aço!", informa o whatsapp pessoal do general Antônio Miotto, gaúcho nascido em São Marcos, que assume na quinta-feira a chefia do Comando Militar do Sul, as tropas dos três Estados do Sul, que englobam 48 mil dos 217 mil militares do Exército Brasileiro. Não que ele seja ríspido. É bastante afável no trato. O lema pretende indicar dureza na forma de encarar a missão, seja qual for.
Dias atrás, quando o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, tuitou mensagem cifrada dizendo que as Forças Armadas compartilham os anseios dos cidadãos de bem "em repúdio à impunidade" (um recado sobre a iminente prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), Miotto compartilhou e endossou a mensagem. "Estamos firmes e leais ao nosso Comandante! Brasil acima de tudo! Aço!".
Mas foi uma rara manifestação de Miotto sobre temas fora da caserna. Em entrevista à Rádio Gaúcha, segunda-feira, ele ressaltou ser "legalista" e afirmou que os militares não querem intervenção no país, nem pretendem protagonismo político.
O que Miotto reafirma é que o Exército está aí para ajudar no que for preciso. Em rápido bate-papo que tive com ele, o general deu exemplos: ações contra o narcotráfico e em presídios.
Miotto acaba de deixar o Comando Militar da Amazônia. Lá, em um ano, o Exército fiscalizou 32 presídios, no Acre, no Amazonas, em Rondônia e em Roraima. As vistorias resultaram em centenas de armas artesanais e celulares apreendidos.
- Fizemos isso porque os governadores pediram ao presidente da República, que autorizou que agíssemos, dentro da Garantia da Lei e da Ordem. Foi no contexto das chacinas nos presídios amazônicos. Ante a escassez de efetivos policiais, acho que cumprimos bem a meta - resume Miotto.
Já em relação às drogas, em janeiro deste ano o Exército reforçou patrulhamento na fronteira com a Colômbia e, em menos de um mês, apreendeu mais de cinco toneladas de skank, um tipo de maconha poderosa e modificada. Miotto tem como meta repetir esse tipo de procedimento no Sul, dentro de operações que já viraram um costume, como a Ágata (envolvendo Marinha, Aeronáutica e Exército na fronteira). Pode também prestar apoio à Operação Sentinela, que une PF, Polícia Rodoviária Federal e Brigada Militar na fronteira gaúcha.
- Atuar com as polícias, colaborando no que for possível, é uma de nossas ambições - confirma.
Miotto formou-se em 1978 na prestigiada Academia Militar das Agulhas Negras-AMAN (Resende-RJ). Como oficial superior, comandou o 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (Passo Fundo-RS) e o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (Porto Alegre-RS). Como Oficial-General, comandou a 8ª Brigada de Infantaria Motorizada (Pelotas-RS), foi Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste (Rio de Janeiro-RJ) e Comandante Militar da Amazônia.