
Lula entendeu errado a vitória nas eleições de 2022. Achou que tinha recebido um cheque em branco da população brasileira. Diante disso, fechou os olhos para o que o cidadão de fato precisa e passou dois anos, segundo ele mesmo, plantando. Agora espera colher. Está colhendo o insucesso. É verdade que há boas medidas, mas insuficientes para melhorar a vida das pessoas. Os índices de emprego melhoram, mas na prática as pessoas veem o poder de compra encolher. A conta não fecha.
O governo já mudou o ministro da Comunicação, mas também não vai resolver. Não tem publicidade que resolva um produto mediano, abaixo da expectativa do usuário. Seja um celular, uma caneta ou um governo. Se não funcionar, não será bem avaliado. Não adianta vídeo nas redes sociais se as ações não sustentam uma aprovação.
Quando um país precisa escolher entre dois candidatos muito diferentes, como foi com Lula e Bolsonaro em 2022, trata-se muito mais de rejeição ou fuga. Explico: Lula teve 50,9% dos votos válidos e Bolsonaro, 49,1%. Menos de dois milhões de brasileiros pesaram para o lado de Lula. Não são todos lulistas ou petistas, mas pessoas que achavam que era hora de combater Jair Bolsonaro. Da mesma forma, nem todos que votaram no ex-presidente são bolsonaristas. Muitos só não queriam a volta de Lula ao poder.
A desaprovação do atual presidente chegou a 56% dos eleitores, de acordo com a pesquisa Quaest divulgada hoje. Não vejo muita saída, diante de um país dividido entre projetos e espectros diferentes, para Lula melhorar esse percentual.