No entardecer da última segunda-feira (31 de março) caiu uma tromba d’água. Chuva de lavar a alma, disseram alguns. Chuva intermitente, intensa, com raios e trovões.
Visto pelo viés religioso, poderia ser a manifestação de Iansã, a senhora dos ventos, tempestades, raios e trovões, considerada uma guerreira poderosa e destemida.
O historiador Luiz Antonio Simas, que disseca o Brasil a partir da perspectiva da cultura da rua, enfatiza o papel de Iansã como uma força da natureza que traz movimento e renovação.
Chovia torrencialmente na segunda-feira, dia em que se iniciou um movimento simbólico em Caxias. Um movimento que clama pela renovação da cultura da paralisia, por uma cultura da inovação justamente pelo viés da Educação.
Simbolicamente, a palestra de abertura do programa O Futuro que Queremos, realizado pela Fundação Marcopolo, abordou Medellín como Cidade Educadora. Cidade que construiu 420 escolas públicas nos últimos 30 anos. Por milagre? Não. Simplesmente porque, como nos revelou o colombiano Santiago Uribe Rocha, Medellín tem priorizado o investimento na Educação:
— Medellín investe mais em Educação do que em Segurança Pública ou em Saúde. Muito mais. E não é de hoje.
Simbolicamente, chovia na última segunda-feira. Bons presságios sob a égide transformadora da rainha dos ventos. Ou talvez, por uma outra faceta de Iansã, conforme Simas, que a vê como uma destemida guerreira, que luta por justiça e liberdade, representando a força feminina e a capacidade de superar obstáculos.
Obstáculos esses que atravancam a relação entre educadores, educandos e a sociedade. Obstáculos esses que se revelam na soturna violência de facadas desferidas por alunos contra professores. Ou de obstáculos que se revelam na incapacidade dos pais acompanharem a trajetória escolar de seus filhos — seja por ignorância ou desprezo.
A facada nas costas é a metáfora de como a sociedade — de um modo geral — despreza a Educação (seja pelas disputas ideológicas, seja pela desvalorização dos educadores). Na dúvida, a saída tem sido adotar a postura de Pilatos na hora de sentenciar Jesus: lavar as mãos.
A revolução é pela Educação. Não tem outra via. E para fechar, mais uma lição de Medellín, logo ali, uma cidade latino-americana como Caxias do Sul. Considerada uma das cidades mais violentas entre as décadas de 1980 e 1990, atualmente, o município é membro da Rede das 100 Cidades Resilientes da Fundação Rockefeller. Qual o segredo? Milagre? Não. Maciço investimento em Educação, seja pelo poder público, pela iniciativa privada e também por criar a cultura da família educadora.
O professor não é o inimigo. Nem os alunos. A Educação é o antídoto.