
Um jovem altruísta, incrível, estudioso, respeitoso com os pais e amigo leal. É assim que familiares e amigos descrevem Paulo Victor Estefanói Antunes, 27 anos, uma das vítimas do acidente com um ônibus da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que ceifou sete vidas em Imigrante, do Vale do Taquari, na última sexta-feira (4).
Antunes era formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) desde o ano passado. Ele havia iniciado o curso técnico em Paisagismo no Colégio Politécnico da UFSM no último mês. Estudioso, queria complementar seus conhecimentos no ramo – e estava fazendo o que gostava, conforme a mãe, Marli Estefanoi.
— Ele só fazia o bem. Não porque eu sou mãe, mas ele era um guri ótimo, maravilhoso, carinhoso com os pais. Eu dizia que ele não saía de casa sem dizer: benção mãe, benção pai — afirma.
Antunes era um jovem caseiro, que se preocupava com os pais e afirmava que cuidaria dos dois. A mãe acredita que o acidente foi causado por alguma falha técnica e diz que houve negligência.
— Ele comprou uma moto, e eu preocupada com a moto. E foi acabar em um ônibus — lamenta a mãe. — Eu estou assim, sei lá, eu não sei como vou voltar para casa. Ele morava comigo, o único filho solteiro que eu tinha, os outros estão casados. Eu tenho tudo dele, desde que tu entra dentro de casa e vai até o banheiro.
O confeiteiro Henrique Kochhann, 25, conheceu Paulo jogando videogame, ainda na adolescência. Tornaram-se amigos pessoais há oito anos. Compartilharam momentos e experiências marcantes, como a chegada à universidade.
— É uma perda muito grande. Ele era a pessoa mais altruísta que eu conheci na minha vida. Se ele pudesse tirar do dele para dar para o próximo, ele faria sem nem pensar duas vezes. Ele era uma pessoa muito boa, muito especial para todo mundo, nunca deu motivo para ninguém querer o mal dele, porque o Paulo era incrível. Todo mundo amava ele, ele era sensacional mesmo — lastima.
Rodrigo Santos, 28, consultor de vendas, era amigo de Antunes há 20 anos. Quando se conheceram, jogavam juntos todos os dias. Cresceram juntos, estudaram na mesma escola, moravam na mesma rua e costumavam se visitar cotidianamente.
— Ele era incrível. Valorizava o pai e a mãe acima de tudo. Primordial para ele era o pai e a mãe estarem bem, saudáveis. Amava, cuidava, não bebia mais para não preocupar os pais. Como amigo, só conselhos bons, me ajudou todos os dias. Se eu chamava ele, qualquer horário, me respondia. Era um ser iluminado — lamenta.
Paulo Victor Estefanói Antunes será sepultado em Silveira Martins.