Parentes e amigos das vítimas do acidente de ônibus que matou sete pessoas em Imigrante, no Vale do Taquari, se reuniram neste sábado (5) em diferentes municípios da região central do Estado para se despedir de seus mortos sob um clima de comoção.
Apesar da oferta da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para realizar uma cerimônia conjunta, as famílias preferiram organizar velórios individuais. Assim, a dor da perda repentina se espalhou por comunidades do Interior em pontos distintos como Vale Vêneto (distrito de São João do Polêsine), São Pedro do Sul, Estrela Velha e Santa Maria.
Pilar da família
Em Vale Vêneto, mais de uma centena de pessoas compareceu ao adeus à bancária Flavia Marcuzzo Dotto, 44 anos, realizado no salão paroquial. Criada no distrito de apenas 500 moradores, mas radicada em Santa Maria, ela viajava no ônibus do Colégio Politécnico da UFSM como aluna do curso de Paisagismo.
— O paisagismo era o hobby dela, era apaixonada pelas plantas. Há algumas semanas, havia feito o paisagismo do prédio onde morava — conta a prima Justina Inês Dotto Pivetta, 68 anos.
A bancária costumava passar os finais de semana na companhia do pai e da mãe, em Vale Vêneto, e era considerada um pilar da família pela disposição em resolver problemas dos parentes.
Na véspera da viagem fatal, Flavia havia reunido os pais, o marido e os dois filhos (um adolescente de 15 anos e uma menina de 11) em um jantar durante o qual revelou especial empolgação com a primeira viagem de campo que faria com a turma do Politécnico.
— Ela juntou a família nesse jantar como se fosse uma despedida — interpreta a tia Estela Maris Dotto, 61 anos.
Força para consolar a neta
A 70 quilômetros dali, no município de São Pedro do Sul, o mesmo necrotério municipal recebeu, em sequência, outras duas vítimas do acidente.
A primeira a ser velada foi Dilvani Hoch, 55 anos. Natural do município, havia dois anos morava em Santa Maria com uma filha. A agricultora estava entusiasmada pela retomada dos estudos em uma nova área.
— Ela estava muito empolgada com essa nova fase da vida. Havia comentado, muito contente, que seria a primeira viagem da turma — recorda o sobrinho Artur Hoch, 26 anos.
Compareceram ao velório os pais nonagenários de Dilvani: Alcindo, de 99 anos, e Amélia, de 91. Apesar da dor, Alcindo encontrava forças para consolar a neta, Fernanda Hoch da Silva.
— Tem de seguir em frente, continuar teus estudos — aconselhou.
"Era muito inquieta", diz irmã
Além da filha, Dilvani deixou um filho também já adulto. A agricultora havia compartilhado os bancos da catequese com a outra vítima do acidente velada no mesmo local na tarde de sábado.
Logo que seu caixão foi retirado para o sepultamento na localidade de Cerro Claro, no interior de São Pedro do Sul, chegou o corpo da colega de infância Marisete Maurer, 54 anos.
Na segunda-feira (7), Marisete iria se mudar de Novo Cabrais para Santa Maria com o objetivo de se dedicar ao curso em que havia recém ingressado.
— Ela era massoterapeuta, também tinha formação como técnica de enfermagem, e agora iria se dedicar ao paisagismo. Era muito inquieta, estava sempre fazendo uma coisa ou outra — lembra a irmã Izolete Maurer.
Profundamente religiosa, Marisete também costumava ser conselheira dos familiares. Como muitos parentes que moram em localidades distantes do Interior queriam se despedir, o sepultamento foi agendado para as 10h deste domingo (6). Deixa também um neto prestes a completar dois anos.
Outras vítimas
Duas outras vítimas, Fátima Eliane Copatti, 69 anos, e Paulo Victor Estefanói Antunes, 27 anos, foram velados em Santa Maria. Ela seria cremada no final da tarde, e ele seria sepultado no município de Silveira Martins. Conforme familiares, era um jovem "dedicado e respeitoso com os pais".
Janaína Finkler, 21 anos, estava sendo velada em Estrela Velha. Elizeth Fauth Vargas, 71 anos, seria enterrada em Passo Fundo neste domingo.