
Faltava cerca de um quilômetro para que o ônibus que partira do Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) chegasse ao seu destino, o Cactário Horst, no município de Imigrante. A bordo estavam estudantes e professores do curso de Paisagismo, além do motorista.
A última curva do acesso à cidade do Vale do Taquari não foi vencida pelo coletivo, que saiu da pista, invadiu uma área de campo e acabou caindo de um barranco.
— A professora já estava dando as orientações de como seria a visita. Aí o ônibus começou a descer e começou a acelerar e acelerar. Quando fez a curva, eu senti ele tombando. Depois disso, só lembro de acordar lá embaixo — contou à RBS TV a estudante Gabriela Hennig Osmari.
Segundo a UFSM, 33 pessoas estavam no ônibus — quatro desistiram da viagem às vésperas do passeio. Sete mortes foram confirmadas ainda no local onde o ônibus tombou — seis mulheres e um homem.
Vinte e seis pessoas foram encaminhadas com ferimentos para hospitais de municípios próximos. De acordo com o reitor da UFSM, seis seguiam internados na noite de sexta: "dois em estado um pouco mais grave e outros quatro em observação".
O motorista, que sobreviveu, informou que o veículo teria perdido os freios, o que ainda será verificado pela investigação, que deve ficar a cargo da Polícia Federal.
As vítimas
A identidade das vítimas foi informada na manhã de sábado (5). São elas:
- Dilvani Hoch, 55 anos
- Elizeth Fauth Vargas, 71 anos
- Fátima E. R. Copatti, 69 anos
- Flavia Marcuzzo Dotto, 44 anos
- Janaina Finkler, 21 anos
- Marisete Maurer, 54 anos
- Paulo Victor Estefanói Antunes, 27 anos
Segundo a UFSM, 33 pessoas no ônibus entre estudantes, professores e motorista, que era terceirizado.
Quatro pessoas estavam na lista iniciam mas desistiram da viagem. É o caso de Viviane de Oliveira Garcia. À RBS TV, ela afirmou que tomou essa decisão por compromissos profissionais e que os colegas que iam ao cactário eram calouros do curso, muitos deles já com formação em Arquitetura ou atuando profissionalmente com flores.
A maior parte dos 26 feridos foi encaminhada ao Hospital Ouro Branco, na cidade de Teutônia. Por volta das 21h, quatro seguiam internados no local, todos com quadro estável.
Quatro pacientes eram atendidos no Hospital Bruno Born, em Lajeado, sendo um homem, de 26 anos, e três mulheres, com idades entre 33 e 55. O homem e a mulher mais velha tinham quadros considerados graves. As demais têm situação estável.
Os outros seis feridos foram atendidos no hospital de Estrela. O estado de saúde de três mulheres, com idades entre 39 e 60 anos, e do motorista do coletivo, de 42, é avaliado como estável. Um outro homem, de 35, tem quadro grave. Um dos atendidos nesta instituição já teve alta.

Investigação
Uma investigação policial tentará compreender o que causou o acidente. Embora a fala do motorista indique problemas nos freios do ônibus, isto ainda será verificado pela perícia.
O coletivo pertencia à Universidade Federal de Santa Maria, que era responsável pela manutenção. O condutor, no entanto, era terceirizado.
Pelo caráter federal da instituição, há uma tendência de que o acidente seja investigado pela Polícia Federal (PF).
Estrada perigosa
O trecho onde o ônibus saiu da pista, na chamada Estrada Acesso Rota do Sol, é considerado perigoso. Outros acidentes fatais já aconteceram ali, segundo o prefeito de Imigrante, Germano Stevens.
— Este trecho já ceifou muitas vidas — afirmou à Rádio Gaúcha.
Uma testemunha do acidente destacou que, no trecho de quatro quilômetros da via, há dezenas de curvas:
— São 38 (curvas) curtas, praticamente todas na descida.
O prefeito de Imigrante revelou que um estudo analisa possíveis melhorias no trecho.
— Se estuda a possibilidade de construir uma caixa de brita, uma caixa de contenção. Assim, vai ser mais uma ação que vai ser construída no sentido de tentarmos minimizar, evitar acidentes — declarou Stevens.
Local do acidente
Repercussão
O governador Eduardo Leite compartilhou uma nota de pesar em suas redes sociais, lamentando o acidente. "Em nome do governo do Estado, manifesto minha solidariedade às famílias das vítimas, aos colegas da UFSM e a todos que estão direta ou indiretamente afetados por esse triste episódio. Que encontrem força nesse momento devastador." O governador acrescentou: "O governo do Estado está mobilizado para prestar todo o apoio necessário."
O ministro da Educação, Camilo Santana, também prestou solidariedade por meio das redes sociais. "Deixei o MEC à disposição para apoiar a UFSM", declarou.
A universidade decretou luto oficial de três dias e suspendeu atividades nesta sexta e no sábado. A prefeitura de Santa Maria também se manifestou por nota: "Reforçamos nosso apoio e condolências a todos os envolvidos, desejando força para enfrentar este momento tão difícil."
O presidente da Assembleia Legislativa gaúcha, deputado Pepe Vargas, também emitiu nota sobre a tragédia. Vargas disse lamentar a tragédia e ofereceu “solidariedade neste momento difícil para as famílias, comunidade da UFSM e amigos”.
O deputado federal e ex-ministro Paulo Pimenta (PT) prestou solidariedade em publicação no X (antigo Twitter): "Como ex-aluno do Colégio e da Universidade, me solidarizo aos familiares, amigos e toda a comunidade acadêmica que sofre com essa tragédia."