O hospital de campanha montado para reforçar o atendimento de casos de suspeita de dengue em moradores de Viamão, na Região Metropolitana, passou a receber pacientes no início da tarde deste sábado (5).
A estrutura, montada pelo Exército brasileiro, abriu as portas por volta das 12h30min, após enfrentar dificuldades com o sistema de prontuários.
O espaço foi instalado na parte de trás da Unidade de Pronto-atendimento (UPA) Viamão, que fica na Avenida Senador Salgado Filho. O local funcionará 24 horas por dia por um período de 30 a 60 dias, a depender da demanda. A prefeitura estima que haverá um pico no número de casos em cerca de duas semanas.
— Temos previsão de um aumento de casos até a Páscoa e, depois, começa a cair. Por isso, com certeza teremos a necessidade de manter o hospital de campanha pelo menos nos próximos 30 dias — afirma a secretária de Saúde de Viamão, Michele Galvão.
A estrutura tem capacidade para atender 30 pessoas simultaneamente. Quando chega, o usuário é recebido na própria UPA. Caso o relato de seus sintomas sinalize suspeita de dengue, um técnico de enfermagem abre um prontuário e encaminha o paciente para o hospital de campanha, nomeado Centro de Hidratação.
Lá, são verificados os sinais vitais, e a pessoa é enquadrada no grupo A, B, C ou D, a depender da gravidade e do tipo de sintomas que manifesta. A hidratação, então, é iniciada, e é feita a coleta de material para exames. Com os resultados em mãos, o paciente é encaminhado ao médico, para ser definida a conduta adotada.
Atenção aos sintomas
Uma das primeiras atendidas foi Beloni Barros dos Santos, 62 anos, que sente sintomas como calafrios, diarreia, dor nas pernas e uma forte dor de cabeça desde a semana retrasada. A cabeleireira chegou ao hospital de campanha já com o diagnóstico de dengue, mas o médico a orientou a procurar o serviço para ser acompanhada.
— Não estou melhorando. Eu só durmo: fico numa soneira só. É horrível isso aí. Quem ainda não pegou, por favor, não pegue — recomenda Beloni, que disse só ter se sentido tão mal assim na vida quando contraiu covid-19.
Já Rosane Davi Pereira, 46 anos, ainda não sabia o que tinha. Os sintomas eram variados: dor de cabeça, no estômago, no corpo, mas também secreção e tosse. Como mora em uma área com muita vegetação e, portanto, muitos mosquitos, achou melhor buscar atendimento para tentar descartar dengue.
— Estou há uma semana assim, e trabalhando com crianças, porque sou professora. Aí hoje, que é sábado, resolvi vir — relata a docente.
Apesar do problema no sistema de informática da estrutura, nenhuma das duas pacientes precisou esperar muito para ser atendida.
Hidratação é a principal medida
Além do hospital de campanha, duas unidades de saúde das regiões com mais casos registrados na cidade — Augusta Meneguine e Santa Isabel — atendem casos de suspeita de dengue neste sábado até as 18h. No domingo (6), das 8h às 18h, a Augusta Meneguine também estará aberta.
— Ampliamos o atendimento para não sobrecarregar a UPA do hospital, mas também porque o paciente que é do grupo de classificação B precisa ser avaliado a cada 24 horas. Esses pontos de atendimento são para que o paciente procure o serviço, a gente possa reavaliar, coletar exames e tudo o que fazemos aqui no Centro de Hidratação — afirma Michele.
A secretária destaca que "não se precisa perder nenhuma vida por conta da dengue", mas que, muitas vezes, as pessoas acessam tardiamente o serviço de saúde e iniciam a hidratação muito tarde, quando já há alguma complicação em seu quadro.
A hidratação é a principal medida de tratamento da doença, que pode causar a perda de líquidos.
Viamão vive um surto de casos de dengue que se intensificou nas últimas semanas: se, no dia 21 de março, havia 595 registros da doença no município, o número saltou para 1.409 em 4 de abril. A situação fez com que a prefeitura publicasse um decreto de emergência na semana passada.