
Pela primeira vez na história, o Rio Grande do Sul confirmou uma morte por febre chikungunya. O caso foi registrado em Carazinho, no norte do Estado.
Assim como a dengue, a chikungunya é uma arbovirose, doença que se caracteriza por ter um vírus transmitido por artrópodes, como insetos e aranhas, por exemplo.
No Brasil, as duas (além do zika vírus) são transmitidas pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti.
Tanto a chikungunya quanto a dengue têm sintomas que se confundem, o que dificulta o diagnóstico. Não há vacina de prevenção contra a chikungunya, apenas contra a dengue.
Sintomas da chikungunya
- Febre alta de início rápido
- Dores intensas nas articulações de pés, mãos, dedos, tornozelos e pulsos também de início repentino
- Edema (inchaço) nas articulações (geralmente as mesmas afetadas pela dor intensa)
- Dor nas costas
- Dores musculares
- Manchas vermelhas pelo corpo
- Coceira na pele, que pode ser generalizada, ou localizada apenas nas palmas das mãos e plantas dos pés
- Dor de cabeça
- Dor atrás dos olhos
- Conjuntivite não-purulenta
- Náuseas e vômitos
- Dor de garganta
- Calafrios
- Diarreia e/ou dor abdominal (manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes em crianças)
A doença se desenvolve em três fases. São elas:
- Fase 1 - Febril ou aguda: tem duração de 5 a 14 dias
- Fase 2 - Pós-aguda: tem um curso de 15 a 90 dias
- Fase 3 - Crônica: se os sintomas persistirem por mais de 90 dias após o início dos sintomas, considera-se instalada a fase crônica.
Em mais de 50% dos casos, a artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos.
Casos mais graves
O vírus chikungunya (CHIKV) também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como:
- Encefalite
- Mielite
- Meningoencefalite
- Síndrome de Guillain-Barré
- Síndrome cerebelar
- Paresias
- Paralisias
- Neuropatias
Como é o diagnóstico da chikungunya
O diagnóstico da chikungunya tem componentes clínicos e laboratoriais, e deve ser feito por um médico. Todos os exames laboratoriais para acompanhamento do quadro clínico e os testes diagnósticos (sorológicos e moleculares) estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em caso de suspeitada doença a notificação deve ser realizada, e digitada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Online) em até sete dias. Em caso de óbitos, a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.
Como é o tratamento
O tratamento da chikungunya é feito de acordo com os sintomas. Até o momento, não há tratamento antiviral específico para a doença. A terapia utilizada é analgesia e suporte.
É necessário estimular a hidratação oral dos pacientes e a escolha dos medicamentos devem ser realizadas após a avaliação do quadro clínico do paciente, com aplicação de escalas de dor apropriadas para cada idade e fase da doença.
Em casos de comprometimento musculoesquelético importante, e sob avaliação médica conforme cada caso, pode ser recomendada a fisioterapia.
Em caso de suspeita, deve-se evitar a automedicação.
O uso indiscriminado de remédios pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente.
Como é prevenção
Medidas de prevenção à proliferação e circulação do Aedes aegypti, com a limpeza e revisão das áreas interna e externa das residências ou apartamentos e eliminação dos objetos com água parada, são ações que impedem o mosquito de nascer, cortando o ciclo de vida na fase aquática. O uso de repelente também é recomendado para maior proteção individual.
As principais medidas para eliminar a formação de criadouros do mosquito são:
- Manter as caixas-d’água bem vedadas e com tela
- Lavar com água e escova, esponja ou bucha, e manter tonéis, galões ou depósitos de água bem fechados
- Evitar utilizar pratos nas plantas ou, se desejar mantê-los, colocar areia até a borda dos pratos de plantas ou xaxins
- Limpar e remover folhas das calhas, deixando-as sempre limpas
- Retirar água acumulada das lajes
- Desentupir ralos e mantê-los fechados ou com telas
- Colocar areia ou massa em cacos de vidro de muros
- Lavar plantas que acumulam água, como as bromélias, duas vezes por semana
- Preencher com serragem, cimento ou areia, ocos das árvores e bambus
- Tratar a água da piscina com cloro e limpá-la uma vez por semana
- Retirar a água da bandeja externa da geladeira e lavar com escova, esponja ou bucha
- Lavar bem o suporte para garrafões de água mineral a cada troca
- Lavar vasilhas de animais com esponja ou bucha, sabão e água corrente uma vez por semana
- Manter aquários para peixes limpos e tampados ou telados
- Manter vasos sanitários limpos e deixar as tampas bem fechadas
- Guardar garrafas vazias e baldes de cabeça para baixo
- Jogar no lixo objetos que possam acumular água, como latas, tampas de garrafa, casca de ovo, copos descartáveis
- Manter a lixeira sempre bem tampada e os sacos plásticos bem fechados
- Fazer furos na parte inferior de lixeiras externas
- Descartar ou encaminhar para reciclagem os pneus velhos ou furá-los e guardá-los secos e em locais cobertos
- Em reservatórios de água abertos que não podem ser vedados, como cisternas e poços artesianos, recomenda-se cobrir com telas de malha fina
Fonte: SES-RS