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A obesidade já é considerada uma epidemia mundial, afetando mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, 24,3% dos adultos são obesos, segundo dados de 2023 do Ministério da Saúde. A edição do ano passado do Atlas Mundial da Obesidade, documento publicado pela Federação Mundial da Obesidade, trouxe dados alarmantes também para os pequenos brasileiros.
Segundo o levantamento, até 2035, cerca de 50% das crianças e adolescentes entre cinco e 19 anos podem apresentar obesidade ou sobrepeso. Esse crescimento acelerado é explicado por várias razões, mas o fenômeno vem sendo observado desde o final da década de 1970, entre outras causas, pelo aumento de opções de alimentos ultraprocessados.
Para a endocrinologista e médica cooperada da Unimed Porto Alegre Mirian Pecis, o sedentarismo e o uso abusivo da televisão, do telefone e do computador também são fatores que contribuem para o aumento do número de casos de obesidade infantil no país. Com as brincadeiras ao ar livre se tornando cada vez menos frequentes, as crianças passam mais tempo em atividades que exigem quase nenhuma movimentação corporal, reduzindo o gasto calórico e trazendo o risco de doenças graves.
— O sedentarismo aumenta o apetite e, muitas vezes, a alimentação das crianças é composta por alimentos e bebidas com alto teor de açúcar, o que colabora para o maior risco de diabetes tipo 2 nessa fase da vida – explica a médica.
Também existem fatores hormonais e genéticos que podem estimular o desenvolvimento da obesidade. De acordo com Mirian, especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a chance de uma criança desenvolver a doença aumentam em 2,5% quando um dos pais apresenta sobrepeso.
Outro alerta diz respeito a casos de depressão infantil atrelados a problemas com o peso. O papel da família é crucial para enfrentar esses momentos: além de oferecer apoio emocional, pais e cuidadores devem investir na criação de hábitos saudáveis – o que inclui oferecer e consumir legumes, frutas e verduras, bem como dar oportunidade para a realização de atividades físicas.
— O exercício precisa ser encarado não como uma disciplina acessória, mas tão importante quanto o que se aprende em sala de aula — avalia a endocrinologista.
Como evitar a obesidade infantil
- Consultas regulares ao pediatra ajudam a acompanhar a curva de crescimento e o ganho de peso das crianças
- Evite oferecer e deixar à disposição da criança alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, como bolachas recheadas e refrigerantes
- Reduza o uso de telas como forma prioritária de entretenimento e invista em atividades ao ar livre e que coloquem o corpo da criança em movimento
- Faça da alimentação saudável um hábito familiar, criando refeições ricas em frutas, verduras e legumes
* Produção: Padrinho Conteúdo