
No terceiro dia de greve do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), as cem escolas próprias da prefeitura registram falta de professores. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) nesta quinta-feira (3), que garantiu que nenhuma escola suspendeu as aulas por conta disso.
A reportagem de Zero Hora entrou em contato com a direção de algumas escolas para verificar como estão as atividades. Em uma delas, a diretora, que preferiu não ser identificada, relatou que um terço dos professores aderiu à paralisação.
— A escola está realizando atendimento parcial, várias turmas estão sem aulas — relata a diretora.
A adesão à greve é feita principalmente por educadores, mas também conta com servidores de outros setores, como da saúde. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirma que não há prejuízo à rede.
Terceiro dia de greve
Os servidores reivindicam uma reposição salarial de 33,4%, alegando que há defasagem nos reajustes calculados pela inflação. Esta quinta-feira marca o terceiro dia da greve, antecedido por dois dias de paralisação e protestos em frente a prédios do Executivo. Ontem, após assembleia, os servidores decidiram manter a paralisação. O sindicato da categoria afirma que não recebeu retorno concreto da prefeitura sobre quando serão retomadas as negociações.
A prefeitura de Porto Alegre declarou, em nota, que está disposta a dar continuidade às negociações com o sindicato dos municipários e que uma nova reunião está prevista para a próxima semana. O Executivo alega que os índices da defasagem da inflação apresentados pelo sindicato correspondem a gestões passadas e que houve reajuste salarial entre 2022 e 2023. Ainda, os servidores que aderiram à greve terão os pontos cortados durante a ausência.
Veja nota da prefeitura
"A prefeitura reitera a disposição para dar continuidade às negociações com o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Nas últimas semanas, o governo esteve em quatro reuniões - a última delas realizada na manhã de terça-feira (01) - com representantes da diretoria do sindicato, e reafirmou o compromisso com o diálogo, a transparência e em buscar soluções com responsabilidade para as demandas apresentadas dentro da realidade de um município impactado por muitas dificuldades orçamentárias, decorrentes da enchente de maio de 2024. Uma nova reunião com a categoria está marcada para a próxima semana com o objetivo de avançar nas negociações.
A administração municipal também ressalta que os índices da defasagem inflacionária apresentados pelo sindicato não correspondem ao período da atual gestão. Entre 2022 e 2023, o Executivo concedeu um reajuste salarial de 15,85% e aumentou em 35% o vale alimentação. Em 2021, durante a pandemia, a concessão de reajustes foi impossibilitada pela Lei Federal 173/2020. Em 2024, a prefeitura repôs em 4,62% o vale alimentação.
Além disso, a prefeitura propôs recentemente um complemento remuneratório para os servidores que recebem até um salário mínimo básico, com pagamento retroativo a janeiro de 2024. O projeto de lei que viabiliza essa medida já está em tramitação na Câmara Municipal.
Em relação aos servidores que aderiram à paralisação a partir de terça-feira, 01º de abril, todas as secretarias foram orientadas a cortar o ponto daqueles que se ausentarem nestes dias, em consonância com entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF)."
* Produção: Fernanda Axelrud