
O diplomata, cientista político, economista e empresário Marcos Troyjo palestrou neste primeiro dia do Fórum da Liberdade, aberto nesta quinta-feira (3), na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Em sua fala, que teve mediação do vice-presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) — que organiza o evento —, Tiago Dinon Carpenedo, Troyjo comentou temas como economia, comércio exterior e globalização no atual momento geopolítico global, destacando o papel do Brasil neste contexto.
Para Troyjo, a atual guerra comercial travada entre Estados Unidos e China, incrementada recentemente pela aplicação de tarifas de importação por parte dos norte-americanos aos produtos chineses, cria oportunidades de mercado que o Brasil pode aproveitar.
— Com as tarifas, os Estados Unidos jogaram um véu em cima das exportações chinesas, e os chineses já anunciaram que vão retaliar, atingindo principalmente setores que têm muita voz em Washington, como é o caso da agroindústria, com retaliações em soja, milho, frango, carne suína. Ora, qual é o único país do mundo que, seja em escala, seja em velocidade, tem a capacidade de agir quase como um substituto automático a essas exportações agrícolas? O Brasil — destacou Troyjo.
Marcos Troyjo é graduado em economia e em ciências políticas pela Universidade de São Paulo (USP), onde também concluiu doutorado em sociologia. Durante cerca de 10 anos, atuou ainda como diplomata.
Entre janeiro de 2019 e julho de 2020, Troyjo foi secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia do Brasil. Depois, deixou o cargo para assumir a presidência do New Development Bank (NDB), o "banco dos Brics". Ocupou esta posição até o início de 2023, quando foi substituído pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Com sua vasta experiência na arena internacional, Troyjo comentou também o início do mandato presidencial nos Estados Unidos. O diplomata brasileiro comparou a gestão de Trump ao início de uma turbulência aérea, a qual chamou de "Trumpulence" (Trumpulência).
— Trump retirou os Estados Unidos da OMS (Organização Mundial da Saúde), escanteou a OMC (Organização Mundial do Comércio), começou a atacar aliados como Canadá e México, impôs tarifas pesadas e inesperadas a parceiros comerciais, isso tudo gera uma turbulência muito grande no mercado internacional — observou Troyjo.
— Ao mesmo tempo, há também uma incongruência muito grande, pois ao mesmo tempo em que Trump prega grandes reformas de maior liberalização do ambiente de negócios internamente nos Estados Unidos, com desburocratizações e diminuição de impostos para as empresas, externamente prega o protecionismo e a aplicação de tarifas de importação que geram maiores restrições às relações comerciais internacionais — complementou.