
O "Dia da Libertação" anunciado por Donald Trump com a publicação do decreto que impõe tarifas recíprocas a parceiros comerciais dos Estados Unidos, redesenhou o mapa-múndi do comércio internacional.
As taxas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9.
Na quarta-feira, em discurso no Jardim das Rosas da Casa Branca, Trump classificou a medida como o dia da independência financeira do país.
— Vou assinar uma ordem executiva histórica instituindo tarifas recíprocas a países de todo o mundo. Uma reciprocidade que significa: se eles fazem conosco, vamos fazer com eles. As nações estrangeiras finalmente serão convidadas a pagar pelo privilégio de acesso ao nosso mercado, o maior mercado do mundo — frisou.
Ao todo, 185 territórios foram taxados por Trump. Veja abaixo a tabela com alguns dos países e qual o percentual aplicado.
As tarifas serão lineares, ou seja, as mesmas para todos os produtos. As maiores taxas serão aplicadas aos países do sudeste asiático.
Protecionismo
Trump, que é fascinado pela tática comercial do final do século 19 e início do século 20 nos Estados Unidos, considera que as "tarifas recíprocas" tenham poder mágico para reindustrializar o país, reequilibrar a balança comercial e eliminar o déficit fiscal.
Impacto no Brasil
No caso do Brasil, a base para todos os produtos é de 10%. Aço e alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25%.
Para especialistas em comércio exterior consultados por Zero Hora, as tarifas impostas ao Brasil "ficaram dentro do esperado", e o efeito geral na atividade econômica brasileira, pelo menos em um primeiro momento, deve ser moderado.
— Foi dentro do esperado, e poderia ter sido pior. Podemos dizer que o Brasil ficou entre os países menos atingidos pelo "tarifaço" de Trump, com uma tarifa média geral de importação de 10%. Pelo patamar não elevado da taxa aplicada aos produtos brasileiros, e muito abaixo do que foi aplicado para alguns outros países, o impacto imediato nas exportações brasileiras para aquele país deve ser mínimo — afirma Arno Gleisner, diretor da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra).
Para André Azevedo, professor de Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o fato de a taxa aplicada ter sido uniforme a todos os produtos também foi uma notícia positiva do anúncio.
— O impacto sobre a exportação brasileira deve ser relativamente limitado no curto prazo, em razão da tarifa de 10%, baixa em comparação com outros países, ter sido aplicada de forma uniforme a todos os produtos.