
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Próximos de uma fusão, PSDB e Republicanos ainda têm arestas a aparar, interna e conjuntamente, para fazer a eventual parceria funcionar. A tendência é que as divisões internas sejam absorvidas e até amplificadas pela nova sigla. No Rio Grande do Sul, os principais embates estão nos bastidores do Republicanos, que tem alas internas ideologicamente divididas e conflitos envolvendo deputados e líderes.
O novo capítulo republicano surgiu esta semana. Nesta terça-feira (1º), a assessoria de imprensa do deputado Delegado Zucco divulgou uma nota acompanhada de foto dos parlamentares do partido no plenário da Assembleia. O texto fala de uma decisão "por unanimidade" da bancada do Republicanos em apoiar a pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo do Estado.
"A decisão foi consolidada após discussão na bancada e busca a construção de um projeto estratégico para o futuro do Rio Grande do Sul. A bancada espera o apoio dos demais partidos de direita, ainda no primeiro turno", diz a nota.
Entretanto, a informação dos bastidores é de que esta discussão não ocorreu. Além disso, o deputado Sérgio Peres, que representa a ala evangélica do Republicanos, negou que tenha declarado apoio a Luciano Zucco e afastou a informação de convergência da bancada em torno da candidatura:
— O Delegado Zucco está ansioso, ele botou a foto mas não concordo em declarar apoio hoje. Estamos fazendo parte do governo hoje, não pode ser assim como eles fazem. Isso vai se definir em abril, maio do ano que vem. Tem que passar pela direção estadual, nacional. A gente até pode apoiar o Luciano Zucco lá na frente, mas declarar apoio hoje não concordo — desmentiu.
A ala religiosa, representada por Peres e Eliana Bayer, é mais alinhada à direção estadual, que está na base do governo Eduardo Leite (PSDB). Os republicanos que defendem a candidatura de Luciano são da ala bolsonarista: deputados Delegado Zucco (irmão de Luciano), Gustavo Victorino e Capitão Martim.
À coluna, o presidente estadual do partido, secretário de Habitação Carlos Gomes, afastou qualquer tipo de apoio antecipado ao Piratini, afirmando que não há nenhuma candidatura consolidada no momento — nem de Zucco, nem do vice-governador Gabriel Souza (MDB). Gomes aguarda pelas definições nacionais sobre a fusão e vê espaço para diálogo entre PSDB e Republicanos para um caminho unificado.

Na Assembleia Legislativa, os republicanos expõem suas diferenças desde o início do ano. Houve tentativa de mudar o acordo firmado no início da legislatura que definiu o deputado Sérgio Peres, da ala evangélica, como presidente do Legislativo em 2026. Os parlamentares da ala bolsonarista, em especial o Delegado Rodrigo Zucco, estariam insatisfeitos com promessas de cargos não cumpridas.
Restou a Carlos Gomes fazer uma intervenção discreta. Ele enviou carta no final de fevereiro ao atual presidente da Assembleia, Pepe Vargas (PT), para reforçar o acordo e a indicação de Peres, e desde então o assunto esfriou.
Divergências afastam fusão
Nos dois partidos, existem grupos aliados ao governo Leite, que apoiariam eventual candidatura de Gabriel Souza à sucessão, e os que estão alinhados com nomes da direita, como Zucco e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em 2026, o PSDB gaúcho deve retribuir o apoio do MDB em 2022 e na atual gestão estadual. Mas em Porto Alegre no ano passado, os tucanos da Capital demoraram a lançar um candidato forte e optaram pelo apoio à candidatura de Sebastião Melo (MDB), alinhado com o PL da vice Betina Worm e de Bolsonaro.
No âmbito nacional também há diferença de ideias. O PSDB planeja alçar Eduardo Leite à Presidência, como um candidato alheio à polarização do lulismo e do bolsonarismo. Já o Republicanos não deve abrir mão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, um dos principais nomes da corrida eleitoral atualmente — e um dos preferidos de Bolsonaro caso continue inelegível. Como Leite só deve ser candidato se Tarcísio não for, esse seria um não-problema no futuro.
O líder da bancada do Republicanos no RS, deputado Gustavo Victorino, chama atenção para outra dificuldade na construção de um casamento entre os partidos: a definição de quem irá comandar a nova legenda em cada Estado.
Ao jornal O Globo, o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, diz que mantém abertas as negociações com Republicanos, Podemos e Solidariedade. A expectativa é que os tucanos tenham um desfecho nas negociações ainda em abril.