
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Com o tema "convergências para fazer o Rio Grande crescer", a Federasul realizou mais uma edição do Tá Na Mesa nesta quarta-feira (2). Nove deputados estaduais defenderam as medidas prioritárias que acreditam que podem alavancar a economia gaúcha. Os temas mais citados foram a revisão do pacto federativo, medidas de apoio ao agronegócio e pedágios.
Ao lado do presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, o presidente da Assembleia, deputado Pepe Vargas (PT), conduziu as manifestações. Com pouco tempo disponível para cada parlamentar, Pepe pincelou sobre a queda do PIB gaúcho nos últimos anos e defendeu medidas sustentáveis para evitar perdas de produção da agricultura.
— Existem políticas públicas necessárias que nos permitem fazer transições para sistemas produtivos mais sustentáveis e nos exigem uma transição energética que necessariamente tem que ser justa, sob o ponto de vista de não gerar desequilíbrios sociais e econômicos em determinadas regiões. É um extraordinário desafio, sem sombra de dúvidas — resumiu o petista.
Pepe também destacou que é preciso pensar em novas formas de produção agrícola para determinadas regiões do Estado, que não conseguem mais acompanhar o formato adotado atualmente:
— Imaginem a situação de um produtor que plantou, acionou o seguro, plantou, acionou o seguro, plantou, acionou o seguro, plantou de novo e acionou o seguro de novo. O preço do seguro fica inviável, aquela produção fica inviável. É um desafio grande. É algo novo.
Revisão do pacto federativo
O assunto foi introduzido pelo deputado Gustavo Victorino (Republicanos), que criticou o pacto federativo atual que, segundo ele, faz com que dois terços da economia do RS seja "sugada pelo governo federal.
— É um pacto federativo que vem de outros governos, isso é histórico, mas tem que ser revisto. Nós precisamos de fundo perdido, nós precisamos ter a nossa economia reinjetada. Se nós tirarmos dois terços da nossa economia, mandar para fora do Estado, como é que vai ficar?
Marcus Vinícius (PP) concordou com Victorino, defendendo o princípio da subsidiariedade — ou seja, que um ente superior só deve fazer aquilo que o inferior não consegue. Para o deputado, o modelo deve ser adotado desde o indivíduo, que deve ser amparado pela família em caso de necessidade, que por sua vez será atendida pelo município, até chegar no governo federal.
— Vivemos em uma federação que é realmente invertida. Nós não vamos conseguir resolver todos os problemas no Rio Grande do Sul se continuarmos olhando para o Rio Grande do Sul como a solução de tudo, principalmente o Poder Executivo. A mudança no pacto federativo é a chave de um novo marco político no nosso país. É assim que nós vamos conseguir dar autonomia de verdade para as pessoas, vai conseguir dar independência de verdade para as pessoas e vai conseguir apontar para novas conquistas.
Críticas aos pedágios
O parlamentar que fez as principais críticas ao pedageamento das rodovias, não apenas no Rio Grande do Sul, foi Paparico Bacchi (PL). O liberal afirmou que o Brasil é o país com maior percentual de rodovias com pedágios no mundo, e traçou um paralelo com a alta carga tributária do país:
— Como pode um país que tem a mais alta carga tributária do mundo ter o maior percentual de rodovias pedageadas? Esses pedágios do bloco 2 que o governo busca implantar, nós queremos que o governo aporte esse R$ 1,3 bilhão para fazer as terceiras pistas, as melhorias nesses 400 e poucos quilômetros. Se o governo não der, o pedágio terá um custo de 37 centavos ao quilômetro, possivelmente ser um dos mais caros do mundo. O Rio Grande do Sul terá dificuldades de competir com Santo Catarina e Paraná.
Também participaram do Tá Na Mesa os deputados Aloísio Classmann (União Brasil), Cláudio Branchieri (Podemos), Eduardo Loureiro (PDT), Luciano Silveira (MDB) e Professor Bonatto (PSDB).