
Sempre que um papa adoece é natural que o mundo especule sobre a possível renúncia ao trono de São Pedro.
Na época de João Paulo II, que precisou de internação hospitalar em várias ocasiões — do atentado, em 1983, às sucessivas hospitalizações devido ao Parkinson —, pode-se dizer que esse tema era até tabu na Igreja. Afinal, o último papa a renunciar havia sido seis séculos antes, Gregório XII, em 1415. O papa polonês não desceu do trono. Morreu aos 84 anos no comando da Igreja.
A renúncia de Bento XVI, em 2013, quebrou esse tabu. Desde então, a saída de um papa devido a problemas de saúde é algo relativamente normalizado na Santa Sé. O próprio Francisco, desde que foi eleito, tem buscado dar mais transparência à gestão da Igreja.
Ele próprio anunciou, em uma entrevista ao jornal espanhol ABC, em 2022, ter escrito uma carta de renúncia entregue ao então secretário de Estado, cardeal Tarcísio Bertone. A ideia é que o documento fosse usado caso ele fique inconsciente, por exemplo.
O que disse Francisco
— Assinei a renúncia e disse a ele: "Em caso de impedimento médico ou algo assim, aqui está minha renúncia. Você a tem".
Questionado se ele queria que esse fato fosse conhecido, Francisco respondeu:
— É por isso que estou lhe contando.
Ele acrescentou que não sabia o que Bertone fez posteriormente com a carta. Mas acredita que o cardeal a teria entregue ao sucessor na Secretaria de Estado, cardeal Pietro Parolin.
Não é a primeira carta do tipo. Paulo VI e possivelmente Pio XII também tomaram medidas semelhantes. O texto da carta de Francisco não é público, e as condições que ele estipulou para sua renúncia são desconhecidas. Supõe-se que, caso a carta seja utilizada e o papa renuncie, o comando da Igreja ficaria a cargo do decano do colégio cardinalício, cardeal Giovani Battista Re, de 91 anos.
Recentemente, Francisco prorrogou os mandatos do decano e do vice-decano do Colégio de Cardeais - o Papa havia limitado o mandato do cardeal decano a cinco anos em 2019. O mandato de Re havia expirado em meados de janeiro.