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A gigantesca ação da PF e da Receita Federal desencadeada nesta quinta-feira (30) em quatro Estados brasileiros — com destaque para o Rio Grande do Sul — mostra mais uma vez como os traficantes gaúchos se tornaram ponta de lança no esquema de envio de drogas para a Europa. Como mostramos em extensa reportagem no ano passado, o território gaúcho deixou de ser periférico para ser estratégico, em termos de tráfico internacional.
Isso está comprovado em números. Em 2020, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou no Rio Grande do Sul o maior número de apreensões envolvendo cocaína no país. Já a PF apreendeu 13 toneladas de drogas em território gaúcho em 2020 e 19 toneladas em 2021. A maior parte se destinava ao Exterior, o que demonstra a internacionalização do tráfico gaúcho.
A ação da PF nesta manhã, denominada Operação Hinterland (Interior), teve colaboração da polícia paraguaia e do braço da União Europeia para cooperação policial, a Europol. Pudera. O esquema desvendado é uma triangulação.
Como os países andinos — produtores da droga — são muito visados pelas autoridades policiais, eles deslocam pequenas aeronaves com entorpecentes até o Paraguai, que serve de entreposto. A droga chega via rodoviária no Sul do Brasil (daí, o recorde de apreensões da PRF) e vai até o porto de Rio Grande, de onde é embarcada em contêineres para a Europa e a Ásia.
Mão de obra não falta próxima ao porto, desde que Rio Grande deixou de se beneficiar com o boom da construção de plataformas petrolíferas. Muita gente ficou desempregada. Alguns são recrutados para o crime.
A cidade vive ainda uma disputa pelo controle do tráfico no varejo e do envio de maconha ao Uruguai, próximo dali. Isso transformou Rio Grande na cidade interiorana mais violenta em 2022. A ação da PF contribui para colocar um freio de arrumação no crime organizado na porção meridional do território gaúcho.