
A retaliação chinesa à tarifa de 34% anunciada pelos Estados Unidos para produtos do país asiático era um movimento esperado no contexto da guerra comercial americana com "o mundo". O que virá como efeito dessa resposta do país asiático interessa _ e muito _ ao agronegócio brasileiro. Seja pelos espaço abertos ou pelos pontos de atenção.
Da perspectiva de oportunidades, a soja produzida no Brasil está no topo. No primeiro embate travado entre chineses e americanos, o grão brasileiro ganhou maior competitividade e mais espaço no mercado da China. Algo que promete se repetir agora.
_ Soja, milho, carnes são produtos (do Brasil) que vão se beneficiar bastante no mercado chinês. Agora (nessa nova etapa do embate comercial), provavelmente outros países farão a mesma coisa que a China. Então, podemos ganhar em outros mercados também, conforme os países comecem a responder ao tarifaço do Trump _ avalia Renan Hein dos Santos, assessor de Relações Internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
Para os produtores de soja do país e do Estado, esse aumento na demanda chinesa pelo grão brasileiro pode se converter em uma melhora de preços em reais. Puxada pelos prêmios (ágio, nesse caso, pago pela grande procura) nas exportações.
No entanto, o embate de Trump também traz pontos de atenção e preocupação. A Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), alertou em nota que as medidas de taxação podem impactar no produto final. "O adequado suprimento de alimentos a preços justos apenas é garantido com cadeias globais facilitadas, canais de comércio desimpedidos e com a flexibilidade necessária para atender às cambiantes demandas nas várias geografias", pontuou a entidade. Em seguida, complementa que as tarifas incidirão sobre itens de diferentes partes do mundo, e que isso "alimentará pressões inflacionárias e de desaceleração econômica, não apenas nos EUA, mas em todo o globo".
Outra questão a ser considerada é que, diante do posicionamento americano, novas parcerias podem se formar. O assessor de Relações Internacionais da Farsul cita exemplos como o de Japão, China e Coreia do Sul, três países historicamente antagônicos, se movimentando para criar uma aliança comercial, em razão desse tarifaço do Trump.
_ Me parece bem claro que o mundo está correndo para ter parceiros sólidos e alianças estratégicas, realmente confiáveis _ reforça Santos.
Com relação à taxa de 10% imposta ao Brasil, o impacto para itens do agro precisa ser avaliado caso a caso, entende o assessor da Farsul. Os EUA ocupam a terceira posição entre os compradores de produtos agropecuários tanto do Brasil quanto do Rio Grande do Sul. Nacionalmente, têm uma fatia de 7% do total e, no Estado, de 5%:
_ É o terceiro cliente, portanto é importante, mas o impacto é limitado. Exportamos para muitos países. Vários clientes têm 5%, de share.
Produto a produto, contudo, esse impacto pode variar. Em nota técnica, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pontua que para o café brasileiro, por exemplo, os EUA têm um peso diferente: o grão é o principal produto do agro enviado ao território americano, com uma participação de 17%. No caso do suco de laranja, esse percentual foi de 31% no ano passado.