Para "carregar" o volume de perdas estimadas na safra de grãos de verão do Rio Grande do Sul seriam necessárias 253.38 carretas do tipo bitrem (dois semirreboques acoplados, que somam 57 toneladas). Essa é a conta elaborada pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) para dar uma dimensão do tamanho do problema enfrentado.
Se posicionados em fila, mantendo distância de um metro, formariam um alinhamento de 5.269 quilômetros. Essa distância daria para fazer uma viagem saindo de Porto Alegre a Belém, no Pará, voltando de lá até São Paulo (e ainda "sobrariam" em torno de cem quilômetros). Outro comparativo feito é o de que os prejuízos representam o equivalente a 4,31 vezes toda a capacidade de armazenagem das cooperativas associadas da Fecoagro-RS juntas.
— Se engana quem pensa que o problema é da agropecuária. Esse choque com a estiagem reverbera nos demais setores da economia. Traz uma perspetiva terrível para toda a economia — alertou Antônio da Luz, economista-chefe da Farsul, em reunião realizada nesta quinta-feira (24) na sede da entidade.
Os dados comparativos foram apresentados aos participantes, incluindo o governador do Estado, Eduardo Leite, e do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Bastos, além de parlamentares da bancada gaúcha, prefeitos e representantes de sindicatos rurais.
Presidente da entidade, Gedeão Pereira, lembrou que, depois de uma colheita histórica em 2021, de mais de 37 milhões de toneladas, 2022 será de "perdas também exponenciais", além de haver escassez de recursos para os financiamentos do setor da atual e da próxima safra.
— Estamos vivendo o pior dos cenários. Para completar, a Rússia invade a Ucrânia —acrescentou o dirigente, lembrando da dependência de fertilizantes e petróleo desse local.