
O Ministério Público do Rio Grande do Sul instaurou um inquérito civil para investigar a desassistência médica em Canoas, na Região Metropolitana, especialmente no Hospital de Pronto Socorro. A medida ocorre após a emissão de um documento solicitando o fechamento da emergência, devido aos relatos de falta de profissionais e após solicitação do presidente do presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias.
O inquérito foi instaurado na terça-feira (1º) e recebido pela Procuradoria Geral do Município de Canoas nesta quarta-feira (2). Com isso, a Secretaria Municipal de Saúde tem até quinta-feira (3) para se pronunciar.
De acordo com os relatos obtidos pela reportagem de Zero Hora, há falta de cirurgião plástico, de sutura e neurocirurgião para as escalas do mês de abril.
A situação foi reportada ainda na segunda-feira (31) pelo então diretor técnico da instituição, Álvaro Fernandes. O médico foi demitido no mesmo dia, após o pedido de fechamento da emergência. O pronto socorro segue funcionando.
Impacto à população
O Simers alega que há impacto à população. Um dos casos registrado é de um homem de 24 anos que sofreu acidente de trabalho.
O morador de Caçapava do Sul, na Campanha, esmagou uma das mãos na terça-feira. Ele foi encaminhado para o pronto socorro de Canoas, referência para a fratura, e precisava realizar uma cirurgia plástica.
Conforme o Simers, como não havia profissional disponível na escala, o paciente demorou para receber o atendimento adequado. Ele corre risco de ter a mão amputada.
Procurada pela reportagem, o Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde (IAHCS), que administra a instituição, informou em nota que o paciente recebeu avaliação especializada, passou por sutura e segue internado. O hospital confirma a possibilidade de amputação pelo quadro do ferimento.
A Secretaria Estadual da Saúde (SES), informou que não interfere e não tem conhecimento em tempo real da situação de saúde de cada paciente atendido na rede estadual. Além disso, reforçou que detalhes devem ser respondidos pela instituição que atende o caso.