
Em 2024, Passo Fundo registrou o maior número de casos de tuberculose desde o começo da série histórica, em 2015. Foram 160 pacientes diagnosticados com a doença, além de 10 mortes causadas pelo agravamento do quadro.
Os dados da Secretaria Municipal de Saúde revelam um aumento de 15% nos casos em relação a 2023, quando o município teve 138 casos confirmados. Em dois anos, entre 2022 e 2024, o acréscimo foi de 33%.
O último ano com mais casos foi 2018, quando foram registrados 158 pacientes com a doença. Os números reúnem casos novos, reingressos após abandono de tratamento e recidivas (que voltam a aparecer).
De acordo com a enfermeira e coordenadora do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Seila de Abreu, além do diagnóstico do paciente, é imprescindível investigar pessoas próximas para possível transmissão, uma vez que a doença é considerada altamente contagiosa.
— Após o diagnóstico da tuberculose, é extremamente importante a investigação de contatos. É necessário identificar se há mais alguém contaminado e investigar a infecção latente (sem sintomas). Se esse for o caso, é indicado o tratamento preventivo da tuberculose — explica.
O número de casos de 2024 pode sofrer alterações em decorrência do protocolo de tratamento da doença, que leva no mínimo seis meses, o que afeta o fechamento dos dados epidemiológicos.
A tuberculose transmissível não atinge somente o pulmão, mas também a laringe, embora 85% dos casos na cidade sejam pulmonares. A contaminação acontece pelo ar, através da fala, tosse ou espirro de uma pessoa com a doença.
Pacientes mais jovens
Outro dado que preocupa é referente à faixa etária dos pacientes. Conforme a coordenadora, desde 2023 há o aumento no diagnóstico em jovens entre 15 e 19 anos e em bebês menores de um ano. A explicação, segundo ela, seria a convivência com adultos contaminados. A idade de prevalência da doença são homens com mais de 30 anos.
— É importante estar atento aos sintomas e procurar qualquer unidade de saúde se tiver suspeita. O diagnóstico é feito pela história clínica do pacientes e por exames de escarro para identificar a bactéria, além de exames de imagem — reitera Seila.
A prevenção deve ser feita com a vacina BCG, que protege o organismo de casos mais graves. Em Passo Fundo, a cobertura vacinal é de 98,4%, dentro da meta preconizada pelo Ministério da Saúde, de 90%. A aplicação é obrigatória para bebês menores de um ano, de preferência logo após o nascimento.
A maioria dos infectados faz parte dos grupos de risco para a doença. São eles:
- usuários de álcool e drogas
- população privada de liberdade
- pessoas com HIV
- diabéticos
- pessoas em situação de rua
- profissionais da saúde

Capacitação
Em alusão ao Dia Mundial de Combate à Tuberculose, em 24 de março, a Secretaria de Saúde tem intensificado as ações de prevenção e controle da doença.
Uma das principais iniciativas é a capacitação dos profissionais da Rede de Atenção Primária de Saúde, promovida pelo SAE. Os treinamentos são ofertados para enfermeiros, médicos e farmacêuticos durante março e abril.
O objetivo é qualificar os profissionais para fazer o diagnóstico precoce da doença e realizar o acompanhamento adequado aos pacientes.