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Reajustados anualmente, os preços dos medicamentos em 2025 poderão ter o menor aumento dos últimos seis anos. A expectativa de analistas e representantes da indústria é de que o percentual fique abaixo de 4%.
O teto só deve ser anunciado oficialmente no final de março. Tal projeção se baseia nos índices já divulgados dos fatores que compõem o cálculo do reajuste.
Se a expectativa for concretizada, o percentual será o menor desde 2018, quando ficou em 2,84%.
- 2018: 2,84%
- 2019: 4,33%
- 2020: 5,21%
- 2021: 10,08%
- 2022: 10,89%
- 2023: 5,6%
- 2024: 4,5%
O percentual de aumento é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de um cálculo que considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro de cada ano e outros três fatores (chamados X, Y e Z).
Em janeiro, o CMED apresentou o valor do fator X (2,459%) para o período entre julho de 2024 e junho de 2025. Já em fevereiro, divulgou que o fator Y a ser considerado no reajuste de preços aplicado entre 2025 e 2026 deve ser de 0%.
Expectativa
Com a recente divulgação, analistas da XP passaram a estimar que o aumento de preços deve ficar em 3,9%, menor do que o percentual previsto de IPCA (6,1%).
Em nota, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) ressaltou que a definição do reajuste anual ainda depende da divulgação do IPCA e que “está́ difícil para a área técnica do Sindusfarma fazer uma previsão”.
O texto acrescenta, contudo, que “o certo é que, sobre o índice de reajuste, haverá um desconto de 1,5 a 2 pontos porcentuais em cerca de 25% do total de medicamentos, enquadrados na chamada Lista Negativa, sob os quais incide o PIS/Cofins”.
Alexandre Sartori, assessor de Relações Institucionais do Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul (CRF/RS), ressalta que o fator Z ainda não foi informado e que ele será o determinante:
— Hoje, se nós pegarmos o IPCA dos últimos 11 meses, porque não tem fevereiro, gira em torno de 4,13. E aí diminui o fator X, que são os 2,459, temos um valor de 1,54. Então, se o fator Z que for publicado pelo CMED for menor que o X, o reajuste médio acabará sendo menor do que o IPCA. É o Z que vai determinar o reajuste. E isso não se sabe, nós estamos aguardando a publicação. E também o IPCA de fevereiro.
De toda forma, Sartori comenta que existe um senso comum em relação a essa expectativa na indústria farmacêutica. Acrescenta, ainda, que uma produtividade menor na área também pode impactar no fator Z e que o setor tem muita clareza sobre suas produções, o que pode justificar a projeção.
Impacto do reajuste
De acordo com o assessor do conselho, se o reajuste ficar abaixo do IPCA, isso significa que o aumento dos medicamentos — desde a fábrica, passando pela cadeia logística até o preço final para o consumidor — tende a ser menor do que a própria inflação.
— E aí tem todo um contexto econômico. Se o paciente pertence a uma categoria que tem uma reposição salarial maior que a inflação, o impacto na aquisição de medicamentos, na renda familiar, tende a ser menor. Mas também tem um outro lado, porque quanto menor o valor do medicamento mais desafios se colocam para todo o segmento farmacêutico para manter um equilíbrio financeiro — aponta.
Como é feito o cálculo?
O teto é obtido com a resolução do seguinte cálculo: VPP = IPCA – X + Y + Z
Veja o significado de cada um deles:
- VPP: variação percentual do preço do medicamento
- IPCA: taxa de inflação medida pela variação percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
- X: fator de produtividade
- Y: fator de ajuste de preços relativos entre setores
- Z: fator de ajuste de preços relativos intrassetorres
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