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Demitida na terça-feira (25) do comando do Ministério da Saúde, Nísia Trindade se manifestou pela primeira vez, nesta quarta-feira (26), sobre a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em frente à sede da pasta, em Brasília, ela disse que a troca de ministros, "faz parte da vivência de qualquer governo".
— Ele achava importante uma mudança de perfil à frente do Ministério da Saúde. (...) Ele é o técnico de um time, faz parte da vivência de qualquer governo substituição de ministros. Isso nada depõe em relação ao meu trabalho — disse Nísia à CNN.
Ela será substituída por Alexandre Padilha, que deixará a Secretaria de Relações Institucionais. A cerimônia de posse está agendada para 6 de março.
Nísia relatou que foi comunicada da decisão no Palácio do Planalto, em reunião com o presidente após um evento para assinatura de um acordo para a produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue, que já estava programado.
— O evento da manhã (de terça-feira) não era um evento de despedida. Já estava programado porque é o resultado de um edital muito importante para o governo federal, do Ministério da Saúde, para inovação no país — disse à CNN.
Nísia também atrelou à imprensa a exposição que sofreu nos últimos meses, após notícias adiantarem o desejo de Lula em realizar a troca no comando do Ministério da Saúde. Classificou como "incomcebível" o que chamou de "fritura", com notícias sobre a intenção do presidente em substituí-la.
— Deveria se apurar os fatos e não antecipar decisões que cabem ao presidente — disse.
A demissão da ministra foi confirmada em nota divulgada pelo Palácio do Planalto na noite de terça.
“O presidente agradeceu à ministra pelo trabalho e dedicação à frente do ministério”, diz o texto.
Quem é Nísia Trindade
Nísia foi presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Ela assumiu o Ministério da Saúde no início do terceiro governo Lula, em 2023.
A ministra é socióloga, gestora pública e professora de História das Ciências e da Saúde na Casa de Oswaldo Cruz, na Fiocruz, e de Sociologia, no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).