
O dia após o ataque a facadas contra uma professora de 34 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental João de Zorzi, em Caxias do Sul, foi marcado por manifestações de solidariedade à comunidade escolar. O prefeito Adiló Didomenico esteve na sessão da Câmara de Vereadores desta quarta-feira (2), solidarizou-se com a vítima e anunciou reforços na segurança das escolas. Servidores do Sindiserv e Cepers também lotaram o plenário em um ato de apoio ao educandário e em defesa da classe escolar.
O prefeito mostrou apoio a professora e com a classe escolar:
— A comunidade escolar está de luto hoje. A comunidade caxiense levou essa facada, não foi só a professora. Nós somos uma comunidade acolhedora, chegam imigrantes em busca de oportunidades, são todos recebido muito bem. Nós não merecíamos passar por isso. Da minha parte, vocês podem ter certeza que nós vamos trabalhar forte para ajudar sempre mais e vamos montar uma comissão com os professores para buscar soluções juntos.
Além disso, destacou como as forças de segurança da cidade atuam de forma integral e pediu alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente.
— Todas as forças de segurança de Caxias trabalham integradas, o apoio à escola nesta quarta foi demonstração disso. Agora, não dá pra tapar o sol com a peneira. Precisamos fazer coro agora e aproveitamos esse triste episódio para sensibilizar o Congresso Nacional a alterar urgentemente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não dá para tratar menores infratores iguais a alunos — defendeu Adiló.
A secretária de Educação, Marta Fattori, também subiu à tribuna e foi vaiada pelos presentes, mas anunciou que vão trabalhar em medidas de segurança.
— Eu convido a todos vereadores, secretaria de Saúde, secretaria de Segurança, todos, vamos nos movimentar para juntos traçarmos ações para que vocês se sintam seguros dentro da escola. Vamos reforçar a vigilância — anunciou.
Marta também se solidarizou com a educadora atacada.
— A professora, nesta quarta, com bravura, no seu fazer docente dentro da escola, foi apunhalada pelas costas. E isso nós não podemos permitir. Estive no hospital e ela estava bastante abalada com toda a situação, mas graças a Deus ela se livrou do perigo. Precisamos cuidar muito dela e de todos os professores, principalmente os da escola João de Zorzi — disse.
O secretário de Segurança Pública e Proteção Social, Paulo Roberto Rosa da Silva manifestou-se e defendeu as ações da pasta nas escolas, por meio da Guarda Municipal.
— Por determinação do prefeito Adiló, nós temos feito um trabalho constante com a Guarda Municipal: passamos na escolas, fizemos a conversação, são mais de 400 ações desde o início do ano. Os senhores são testemunhas disso, a guarda vai lá, faz o acompanhamento, se tem algum problema, chama o conselho tutelar, faz um registro de ocorrência.
Já a presidente do Sindiserv, Silvana Piroli, usou o seu tempo na tribuna para desabafar sobre a falta de respeito com a classe dos professores.
— O fato de ontem deixou a nu uma situação recorrente nas nossas escolas: a violência, o desrespeito, a falta de autoridade que a gente tem dentro das salas. Se nós não recuperarmos esse respeito na sociedade, nós não vamos ter uma escola que funcione — reforçou.
Silvana também defendeu a penalização dos adolescentes, de 14 e 15 anos, suspeitos do ataque.
— No caso dos adolescentes, os pais, os responsáveis têm que ser penalizados. Não dá! Eu não quero vim aqui cada semana fazer um discurso de desabafo porque isso não resolve a minha vida e nem a de vocês — destacou.
O delegado regional Augusto Cavalheiro Neto, que está a frente do caso do ataque, prestou esclarecimentos do andamento das investigações. Os adolescentes foram encaminhados para a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase) e devem ficar no local por três meses, até a finalização do inquérito. Caso ocorra uma condenação, os suspeitos responderão pelo ato infracional de tentativa de homicídio.
Após as falas, os presentes foram para frente da prefeitura para se manifestarem em ato em solidariedade à comunidade escolar.
