A audiência para ouvir as testemunhas da suposta compra de votos nas eleições de 2024 de Cambará do Sul ocorreu nesta segunda-feira (31). Agora, o processo fica no aguardo da sentença final. Os acusados, o prefeito Schamberlaen Silvestre (PP), o vice-prefeito, Hailton Boeira (PSDB), além de dois vereadores citados no processo, Alex Cavalheiro (Podemos) e Eduardo Canário (PSDB), seguem trabalhando enquanto tramita o processo. Outros dois cabos eleitorais também estão citados na ação.
Segundo o advogado da defesa, Eduardo Alves, a audiência iniciou às 10h e terminou por volta das 17h. Neste tipo de caso, a Justiça Eleitoral tem um procedimento que não escuta os réus, somente as testemunhas. Mais de 20 pessoas foram ouvidas.
O advogado salientou que não foi dada a sentença final, pois faltou alguns quesitos formais no processo, como a quebra de sigilo bancário de alguns dos réus. Ele supõem que o resultado deva sair entre o final do primeiro semestre e início do segundo de 2025.
— O Ministério Público, lá no início, tinha pedido a quebra de sigilo bancário de alguns dos réus, mas ela não veio na íntegra, veio fracionada. Então, foi solicitado pelo próprio juiz, que o cartório eleitoral remeta a cópia integral desse procedimento para as defesas terem acesso, para se manifestar caso entendam necessário e depois sim, vai para a sentença. Acredito que no primeiro semestre ainda, ou início do segundo semestre — esclareceu Alves.
Relembre o caso
No dia 18 de novembro de 2024, o Ministério Público de São Francisco de Paula ajuizou uma ação por suspeita de compra de votos contra a coligação "Retomando o Crescimento", dos partidos PP, Podemos e PSDB de Cambará do Sul. Quem venceu o pleito foi o prefeito Shamberlaen Silvestre (PP) por uma diferença de 220 votos. Além dele, as partes envolvidas pela acusação são o vice-prefeito da chapa, Hailton Boeira, e dois candidatos a vereador da coligação, Alex Cavalheiro e Eduardo Canário, além de dois cabos eleitorais.
No processo, foram anexados supostos comprovantes de pagamento de votos, que variavam entre R$ 150 e R$ 200, que teriam sido feitos para contas de pelo menos cinco eleitoras. Em dois casos, os pagamentos teriam sido realizados por um cabo eleitoral formal do então candidato a vereador Cavalheiro. Em outro caso, o candidato Canário foi citado, e o pagamento teria sido feito por um cabo eleitoral informal.
A denúncia também apontou que os valores seriam destinados aos votos para a chapa de Schamberlaen, com uma testemunha no processo afirmando que o candidato a vice-prefeito Hailton teria entregado R$ 150 por um voto na chapa.