
Na última semana, a vereadora Denise Pessôa (PT) apontou aumentos consideráveis de remuneração em dois cargos da direção da Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca). Durante sessão no dia 21, a petista expôs que as funções de diretor administrativo-financeiro e diretor de operações tiveram reajustes de 69% e 102% , o que classificou como "escândalo" por ocorrer em pleno período de pandemia e da contínua situação adversa financeira da Codeca.
Em participação na reunião da Frente Parlamentar em defesa da Codeca na Câmara de Vereadores nesta quinta-feira (28), o diretor-presidente da empresa, Nestor Basso, esclareceu que os 102% constatados na verdade se referiram ao pagamento da rescisão após o desligamento do diretor de operações. No entanto, sobre o aumento de 69% para o cargo de diretor administrativo-financeiro, Basso reconheceu como um reajuste aprovado na assembleia do Conselho de acionistas da Codeca, porém, alegou que o contemplado dispensou o aumento.
— A assembleia geral extraordinária (do conselho) ajustou o salário do diretor financeiro (e não foi) nem no padrão de secretário municipal, foi num percentual menor. Só que esse cidadão que recebeu aumento, em solidariedade à situação de pandemia, renunciou ao aumento. Não está ganhando salário de secretário, está ganhando salário de CC8 — alegou Basso.
Denise Pessôa, entretanto, reiterou contestação ao reajuste no contexto de crise pandêmica e dos próprios cofres da Codeca.
— A verdade é que esse CC ganhava R$ 7,166,45 quando foi nomeado e a partir do último mês, na pandemia, quando se cortava hora extra, e havia redução de salário e de benefícios dos funcionários aí foi dado aumento de "míseros" R$ 5 mil (para o diretor financeiro). Ele é representante público, tem de ter responsabilidade com a coisa pública. Um aumento desses é um desrespeito à população. (...) Ele "se solidarizou" depois da denúncia — criticou a vereadora.
O Pioneiro contatou o diretor administrativo financeiro da Codeca, Luis Felipe Burtet, que confirmou que dispensou o aumento salarial na última segunda-feira (25), ou seja, quatro dias depois de a vereadora expor a situação no Legislativo. Na folha salarial de abril, consta que ele recebeu R$ 12.120,19 de salário, R$ 4.954,26 a mais do que a remuneração pela qual foi contratado. De acordo com a assessoria de comunicação, entretanto, Burtet devolveu os valores referentes ao reajuste dado pelo conselho.
— Que conselho de administração é esse? A gente com problema financeiro e o conselho pensa: ''Vamos aumentar 5 mil reais do diretor". Estamos em época de pandemia, falta sensibilidade. Quando dá aumento desse é desrespeito à população, desrespeito ao trabalhador que está debaixo de chuva coletando lixo na nossa cidade (...). Ninguém pode ter aumento agora, especialmente numa empresa como a Codeca — afirmou Denise.
Em defesa, Basso alegou que o salário contestado estaria abaixo do pago por administrações anteriores:
— Desde 2004, a Codeca sempre pagou seus diretores com salários equivalentes a de secretário municipal. Na gestão atual, permaneceu com salário no nível de secretário exclusivamente diretor presidente, exclusivamente o diretor-presidente (Basso ganha R$ 13.466), os demais diretores ganharam salário igual ao salário de gerente, é até uma incoerência esse tipo de coisa, que é um salário nível CC8 .
Sobre o diretor de operações, Basso informou que acabou acumulando a função após a demissão do então detentor do cargo. Já com relação à remuneração do diretor administrativo financeiro, a assessoria de comunicação, a próxima folha salarial constará o salário anterior ao reajuste concedido.