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O festival de Kumbh Mela termina nesta quarta-feira(26) com as últimas cerimônias rituais de banho no rio, após seis semanas de celebrações que, segundo os organizadores, atraíram centenas de milhões de devotos.
Apesar de dois tumultos que deixaram dezenas de mortos, o festival na cidade de Prayagraj, norte da Índia, foi considerado um sucesso pelo partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi, que cultivou uma imagem de líder do renascimento e da prosperidade.
Modi e seu aliado, o fervoroso monge hindu Yogi Adityanath - primeiro-ministro do estado mais populoso da Índia, Uttar Pradesh, e lar do festival - afirmam que esta foi a maior edição até agora.
Ambos os líderes participaram do festival, onde Modi banhou-se na confluência dos rios Ganges e Yamuna.
O Kumbh Mela tem suas raízes na mitologia hindu, em uma batalha entre divindades e demônios pelo controle de um recipiente contendo o néctar da imortalidade.
O festival, que começou em 13 de janeiro, termina nesta quarta-feira, coincidindo com o festival hindu de Maha Shivaratri, em homenagem à divindade Shiva.
"Nosso propósito de participar do Maha Shivaratri é adorar o Senhor Shiva", explicou o devoto Shivam Kumar, de 21 anos.
Salvação
Helicópteros espalharam pétalas de flores sobre a multidão que participava dos rituais de banho sagrado.
Segundo o governo estadual de Uttar Pradesh, mais de 640 milhões de fiéis passaram pelo festival, um número impressionante até mesmo para o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de pessoas.
Somente nesta quarta-feira, mais de 8 milhões de devotos mergulharam nas águas sagradas, apesar das medições assustadoras de matéria fecal nos rios.
Autoridades disseram que a participação foi calculada usando inteligência artificial e câmeras de vigilância, mas os números não puderam ser verificados de forma independente.
O festival foi marcado por um tumulto mortal em 29 de janeiro, que deixou pelo menos 30 mortos e 90 feridos.
Outras 18 pessoas morreram em fevereiro durante uma confusão na principal estação ferroviária de Nova Dhéli, enquanto multidões tentavam embarcar em trens para Prayagraj.
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Mas as tragédias não impediram milhões de pessoas de viajar à localidade que fica às margens do rio para participar do festival.
Agora, os organizadores enfrentam a difícil tarefa de limpar o local quando o evento terminar.
* AFP