
Homem mais rico do mundo, Elon Musk deve deixar o cargo de liderança no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos nas próximas semanas. A informação teria sido revelada pelo presidente Donald Trump para membros do seu gabinete.
A decisão parte de um comum acordo entre Musk e Trump, conforme três fontes revelaram em anonimato para o site norte-americano Politico. Apesar do afastamento de Musk, o presidente norte-americano demonstrou satisfação pela atuação do bilionário no governo dos Estados Unidos.
A saída de Musk pode estar ancorada em um único motivo, apesar de não ser confirmado por Trump. Em 130 dias encerra-se o contrato do bilionário como funcionário especial do governo, atribuição que lhe isenta temporariamente de exercer cargos que causem conflitos de interesses. Ou seja, caso ele prossiga no governo após este período, precisará abrir mão do comando de suas empresas – entre elas a Tesla e SpaceX.
Na segunda-feira (31), Trump afirmou que "em algum momento Elon vai querer voltar para suas empresas". A fala deu indicativos que Musk não pretende abrir mão da função de CEO em seus negócios.
Mesmo com o desligamento de Musk, ele deverá seguir atuando como conselheiro do governo norte-americano e, principalmente, de Trump. A decisão ocorre em meio a pressão de aliados e membros do governo frente a imprevisibilidade de comportamento do bilionário.
A ordem executiva assinada por Trump em 20 de janeiro, que autorizou a criação do DOGE, prevê o funcionamento da seção até 4 de julho de 2026. Desta forma, caso se confirme a saída de Musk, outro nome deve ser nomeado para liderar a equipe de corte de gastos do governo dos Estados Unidos.
— Elon, quero agradecer a você. Sei que você passou por muita coisa — disse Trump ao bilionário, em frente à imprensa, após uma reunião em que o acordo teria sido selado, em 24 de março.
A mensagem foi direcionada aos recentes ataques que a Tesla, montadora de carros elétricos do empresário, sofreram no país.
Tesla sobe em Wall Street
As ações da empresa de carros elétricos Tesla subiram depois da notícia. Por volta das 13h06min de Brasília, as ações da Tesla eram negociadas em alta de 3,91%, a 278,95 dólares (1.587,72 reais), após registrarem queda de 6% na abertura.
No início da sessão em Wall Street, a Tesla caiu mais de 6%, impactada pela queda acentuada nas vendas globais no primeiro trimestre e bem abaixo das previsões dos analistas.
Nos primeiros três meses do ano, a Tesla entregou 336.681 veículos, em comparação com 386.810 no mesmo período em 2024, uma queda de 13%. Os analistas esperavam entregas entre 340 mil e 360 mil veículos.
A marca tem sido alvo de vandalismo e pedidos de boicote nos Estados Unidos e outros países desde que Elon Musk começou a cooperar com Trump. Além disso, a gama não é renovada desde 2020, quando seu último veículo, o Model Y, foi lançado.