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Ativistas de um coletivo feminista, vestidas de freiras grávidas, se manifestaram nesta segunda-feira contra a visita que o papa Francisco iniciará na Bolívia na próxima quarta-feira - sendo reprimidas pela polícia.
Instaladas nos degraus da Catedral de La Paz, onde Francisco receberá autoridades locais durante sua visita, as falsas freiras usavam bandeiras repudiando a posição da Igreja Católica contra o aborto e a homossexualidade.
"A minha homossexualidade não precisa de sua aprovação, mas é a homossexualidade dentro da Igreja que precisa de reivindicação", dizia um cartaz do grupo de lésbicas e gays Mulheres Criando, o mais ativo do país. Uma dúzia de ativistas também usava hábito de freira com um faixa em torno de sua cintura dizendo "filho bastardo de um padre".
Ativistas exibiam cartazes com críticas à Igreja Católica
Foto: Jorge Bernal / AFP
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A Catedral de La Paz fica a alguns passos da sede do governo boliviano, na Plaza de Armas, sede também do poder legislativo, onde na quarta-feira Francisco terá uma atividade intensa.
Simultaneamente, o coletivo feminista colocou à venda camisetas estampadas com a imagem de Francisco crucificando Jesus e a legenda: "Sua igreja crucifica as mulheres todos os dias, o feminismo as ressuscita".
O protesto, que foi dispersado pela polícia, contrasta com a atmosfera de fé e expectativa em torno da visita do papa à Bolívia, um país laico de maioria católica.
O Papa chegará em La Paz no próximo 8 de julho, e deve ir ainda no mesmo dia para Santa Cruz (leste), onde permanecerá até sexta-feira, quando parte em viagem ao Paraguai, terceira e última parada em sua visita à região, que começou no último domingo no Equador.