
O melhor período para ver jogos na Copa do Mundo acabou. Nossos dias com três jogos em horários diferentes, movimentando a programação da TV e alterando a rotina ficaram para trás. Desta segunda até quinta, serão quatro partidas, mas de duas em duas. O confronto da manhã muda de hora: 11h.
Há outro lado. Enquanto diminui a oferta de partidas, aumenta a importância. Quase todos os duelos são decisivos. Mesmo que seja para definir posição no grupo.
Mas é importante lembrar: essa história de jogos simultâneos é culpa de alemães e austríacos. Em 1982, as seleções dos dois países fizeram o “Jogo da Vergonha de Gijón”. Como entraram em campo depois da outra partida da chave (Argélia 3x2 Chile), sabiam que o 1 a 0 para a Alemanha classificaria ambos. Pois aos 10 minutos, Hrubesch marcou o gol. E dali por diante, os dois times não atacaram mais.
A partir deste jogo, a Fifa definiu que as partidas decisivas dos grupos seriam disputadas no mesmo horário.
"AMISTOSO" PELO PRIMEIRO LUGAR
Rússia e Uruguai chegam à última rodada cumprindo exatamente a projeção que todos imaginaram. Classificados, vão para o terceiro jogo apenas decidindo quem será primeiro e quem será segundo no Grupo A. Mas, a essa altura de uma Copa tão equilibrada, tanto faz ser líder ou não. Até porque o adversário das oitavas de final só será definido à tarde, e tanto Portugal quanto Espanha (ou ainda Irã, vá lá) poderão aparecer no caminho.
Então, será uma partida mais preparatória do que propriamente às ganha. Os técnicos, inclusive, poderiam poupar alguns de seus jogadores mais desgastados para as oitavas de final. Mas a tendência é de times titulares e muita disputa.
No outro jogo, Arábia Saudita e Egito farão, de fato, um amistoso internacional. Uma despedida para Salah, talvez?
O FOCO EM CRISTIANO RONALDO
O melhor do dia na Copa do Mundo está reservado para as 15h. Em Kaliningrado e em Mordovia, Portugal e Espanha tentam confirmar seus favoritismos diante de Irã e Marrocos. A tendência é de que os europeus avancem, mas os iranianos assustam pelo resultado diante dos marroquinos e pela atuação contra os espanhóis.
O foco está em Cristiano Ronaldo. Agora vice-artilheiro da Copa do Mundo (foi deixado para trás por Harry Kane domingo). Mas há de se fazer justiça com o português: os quatro gols que marcou foram, de fato, os quatro gols que todo o time marcou. E desses, três foram em cima da Espanha. Kane marcou três contra o Panamá (sendo um que ele nem viu) e dois diante da Tunísia. O outro concorrente de CR7 é Romelu Lukaku. O belga, vejam bem, fez quatro gols contra os mesmos adversários de Kane. Por isso, não é exagero colocar Cristiano entre os melhores atletas do Mundial.
O camisa 7 precisará ser decisivo mais uma vez às 15h. Na teoria, a partida é contra o adversário mais fraco do grupo. O Irã entrou na Copa como tendência a saco de pancadas, mas fez um retrancão contra a Espanha. E depois de levar o gol, se mandou para o ataque e por pouco não empatou. Chegou a fazer um gol, anulado por impedimento. Como Portugal é uma equipe mais fraca, pode endurecer. Menos mal para os gajos que um empate os garante na segunda fase.
O outro jogo do mesmo horário vale a pena dividir a tela. A Espanha fez uma boa partida ofensiva contra Portugal, marcando três gols e atacou pacientemente os iranianos até obter a vantagem. Mas a verdade é que os espanhóis ainda não nos entregaram a qualidade que nos prometeram. Uma geração com essa qualidade poderia – e deveria – ter um desempenho melhor do que o apresentado até o momento.
Do outro lado, há ainda um Marrocos eliminado e de sangue doce. E ficamos pensando: se quando valia alguma coisa, os marroquinos se atiraram para o ataque e deixaram o jogo interessante, o que podem fazer se tratarem a partida como um simples amistoso?