
Na semana passada, empresas dos mais diferentes setores, especialistas e autoridades com foco em bioenergia participaram, no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), da Feira Internacional de Tecnologia em Bioenergia e Biocombstíveis (Biotech Fair).
Durante os dias do evento, que encerrou na última sexta-feira (28), houve discussões, fechamento de negócios e apresentações de inovações em energia renováveis. O coordenador geral da feira e diretor da Porthus Eventos, Clóvis Rech, projeta um faturamento superior a R$ 50 milhões para as empresas participantes até o final de 2025.
— O Estado do Rio Grande do Sul encontrou seu caminho para a transição e a retomada da economia por meio das energias renováveis, o que deve atrair investimentos e gerar mais empregos — afirmou Rech.
A Biotech Fair, que pela primeira vez ocorreu no Rio Grande do Sul, reuniu diversas fontes renováveis de energia, como biodiesel, biomassa, biogás, etanol, hidrogênio verde, entre outras.
Para o CEO da Bley Energias, Cícero Bley Jr., ex-diretor de energias renováveis de Itaipu, a principal característica da feira é a diversidade de participantes, que vai do produtor ao consumidor, promovendo o desenvolvimento de negócios e o fortalecimento de contatos.
— A feira aproximou desiguais — disse Bley.
O presidente da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN), Yuri Schmitke, destacou o potencial do Rio Grande do Sul para atrair até R$ 12,5 bilhões em investimentos para a geração de energia a partir do lixo.
De acordo com estudos da ABREN, o Estado tem capacidade para instalar sete usinas de recuperação energética (UREs), que transformam resíduos urbanos não recicláveis em energia elétrica, com capacidade instalada de 210 MW (30 MW por usina).
— A construção dessas usinas contribuiria para desviar o lixo que hoje vai para aterros sanitários, além de gerar empregos e atrair investimentos privados — afirmou Schmitke.
Um dos destaques foi o negócio fechado pela empresa ZN48, especializada na hibridização de veículos pesados, uma tecnologia que combina motores a diesel com biogás e biometano. A transformação da frota de uma empresa de Mato Grosso ultrapassou os R$ 4 milhões.
— A economia com o gasto com combustível será suficiente para cobrir o custo da transformação da frota — revelou Paulo Fernando Paim, consultor de negócios e representante nacional da ZN48.
A Marcopolo, fabricante de carrocerias de ônibus com sede em Caxias do Sul, também marcou presença, apresentando o modelo Attivi, o primeiro chassi elétrico produzido pela companhia. Fábio Limeira, coordenador de Engenharia da Marcopolo, explicou que a empresa está alinhada à meta do Acordo de Paris de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 43% até 2030.
A Weco, empresa gaúcha com mais de 50 anos de atuação, participou com sua linha de caldeiras a biomassa, que tem ganhado relevância no mercado nacional devido à grande disponibilidade desse combustível, bem como aos ganhos econômicos e ambientais.
A Unztop Soluções Tecnológicas, de Bento Gonçalves, apresentou um protótipo de filtro biológico com microalgas para purificação do biogás. Desenvolvido em parceria com a Universidade do Vale do Taquari (Univates), o sistema pode remover CO2 e H2S do biogás, e o interesse pelo produto tem sido crescente, abrangendo desde pequenos negócios até grandes multinacionais.
Congresso de Bioenergia+
No mesmo período, ocorreu o Congresso Internacional de Bioenergia+, considerado o mais importante fórum de discussão sobre o aproveitamento racional de energias renováveis. Durante o evento, o governo do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com a Infravix Engenharia, visando impulsionar a produção de hidrogênio verde (H2V) e seus derivados.
Thays Falcão, gerente executiva de Estratégia da Sulgás, também apresentou no Congresso o projeto Corredores Verdes, que visa estabelecer pontos de abastecimento para veículos de grande porte, como caminhões e ônibus, com GNV. O projeto já está em operação desde 2024, interligando o município de Eldorado a Canoas, na região considerada um hub de distribuição e movimentação de cargas estaduais e interestaduais.
A Trashin, especializada em soluções para gestão de resíduos e logística reversa, também esteve presente na Biotech Fair, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade. Em parceria com a Irani Papel e Embalagem e a Ecofour Placas e Produtos Ecológicos, a Trashin destinou corretamente todos os resíduos recicláveis gerados no evento, promovendo o reaproveitamento de materiais, como espreguiçadeiras feitas de papelão e bancos desenvolvidos a partir de tubos de pasta de dente reciclados.
O sucesso da Biotech Fair reafirma o papel estratégico do Rio Grande do Sul na promoção de soluções inovadoras e sustentáveis para o setor de bioenergia. Com projeções de crescimento contínuo e a realização de futuras edições, a Biotech Fair se consolida como um marco para a indústria de bioenergia no Brasil e no mundo.