
O rapper Emicida, 39 anos, está acusando o irmão, Evandro Fióti, 36, de desviar R$ 6 milhões da Lab Fantasma, empresa que administravam juntos desde 2009.
A acusação de desvio surgiu como uma resposta da defesa do rapper a um processo iniciado pelo irmão, também músico, que tentava impedir que Emicida tomasse decisões individuais sobre o negócio.
Conforme a defesa de Emicida, as supostas transferências teriam acontecido entre junho de 2024 e fevereiro de 2025, da conta corporativa para a conta pessoal de Fióti.
A equipe do irmão disse que a acusação é infundada, e justificou os valores recebidos como parte da dinâmica de lucro da companhia. Fióti afirmou, em nota, que "nunca desviou qualquer valor da LAB Fantasma ou de empresas do grupo".
Entenda o caso
Fundada em 2009, na zona norte de São Paulo, a Lab Fantasma se consolidou como um dos principais selos da cena independente, atuando na administração de artistas como Rael e Drik Barbosa, além de gerenciar a carreira de Emicida. A empresa também expandiu seus negócios para o setor de moda e literatura.
Até 2024, Emicida e Fióti tinham participação societária igualitária. No entanto, no último ano, a estrutura da empresa mudou: Emicida passou a deter 90% das quotas, enquanto Fióti ficou com apenas 10%.
Conforme O Globo, segundo documentos anexados ao processo, a mudança ocorreu por "questões estratégicas e necessidades empresariais".
A disputa se intensificou no último sábado (29), quando Emicida anunciou publicamente o rompimento da parceria com o irmão. Em nota publicada no Instagram, sem espaço para comentários, o rapper informou que Fióti não representa mais sua carreira artística.
No mesmo dia, Fióti divulgou um comunicado afirmando que estava iniciando "uma nova fase" de sua trajetória profissional, após 16 anos à frente da Lab Fantasma.
Transferências irregulares
Nos autos do processo, a defesa de Emicida alega que, em janeiro de 2025, ele foi surpreendido com uma transferência de R$ 1 milhão feita por Fióti, sem sua autorização. O rapper então decidiu revogar as procurações que concediam ao irmão poderes administrativos sobre a empresa.
No mês seguinte, mais R$ 1 milhão teria sido movimentado, também sem consentimento. Após solicitar uma auditoria sobre transações passadas, Emicida afirma ter descoberto um total de R$ 6 milhões em retiradas indevidas.
A defesa do rapper sustenta que essas movimentações configuram "uma grave quebra de confiança", e ressalta que Fióti vinha reclamando do salário mensal de R$ 40 mil que recebia na empresa.
Adiantamento de lucro
Fióti nega as acusações e afirma que as transferências não foram irregulares. Seus advogados anexaram ao processo trocas de e-mails que indicariam que os valores se referiam a adiantamentos de lucro acordados entre as partes.
Um extrato bancário incluído nos autos mostra que Fióti teria encaminhado metade do valor recebido para Emicida, reforçando a tese de que os repasses faziam parte da dinâmica financeira da empresa.
"A acusação de que Evandro teria 'esvaziado' contas da empresa é completamente infundada", afirmam os advogados do empresário, destacando que as planilhas financeiras anexadas ao processo mostram que Emicida teria recebido valores superiores aos do irmão.
Em nota oficial, Fióti declarou que "nunca desviou qualquer valor da Lab Fantasma ou de empresas do grupo" e classificou a acusação como "uma inversão dos fatos".
Ele também afirmou que a gestão da empresa sempre foi conjunta e que todas as movimentações financeiras eram registradas e conhecidas por ambas as partes.