
Apesar da vitória em segunda instância na Justiça Federal, a empresa que administra o Cais Mauá segue com a mesma disposição de negociar com o governo.
Atendendo à orientação da Procuradoria Geral do Estado, o governador Eduardo Leite rompeu unilateralmente o contrato sob a alegação de descumprimento de várias cláusulas. A empresa entende, apoiada em um documento assinado pelo próprio Estado, que não tem culpa por vários dos atrasos, creditados às dificuldades da burocracia oficial.
A derrota do Piratini não tem relação com a disputa em si, mas sim com quem deve julgá-la. A Justiça Federal entendeu provisoriamente, contrariando o governo, que é dela a responsabilidade de analisar o caso, uma vez que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, um ente federal, é interessado direto na questão.
Teoricamente, o governo ainda pode tentar reverter essa decisão, mas a perspectiva de uma longa batalha judicial acrescenta um imprevisível número de novos capítulos à novela que se arrasta há décadas. Agora, até mesmo o Cais Embarcadero, que seria aberto à população no mês que vem, com estacionamento, lazer e gastronomia, está ameaçado. Nada pode ser feito por enquanto, é o que determinou a Justiça.