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Foi deselegante, para dizer o mínimo, a forma como o presidente Lula fritou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, formalmente demitida nesta terça-feira (25) e substituída por Alexandre Padilha. Última a saber da demissão – e pela imprensa – Nísia foi tratada por Lula como uma auxiliar descartável. Depois culpou os auxiliares que vazaram para a imprensa a intenção de trocar a ministra, criticada por petistas e aliados de outros partidos pela dificuldade na relação com o Congresso.
Líderes do PT dizem nos bastidores que a ministra jogava sozinha e que mesmo à frente de um ministério milionário não conseguiu criar uma marca na saúde. De fato, Nísia não é boa de marketing. Não conseguiu mostrar o que fez, embora o relatório divulgado logo depois de saber que estava marcada para cair mostre que não são poucas as realizações de sua equipe. Dos remédios gratuitos da farmácia popular, incluindo fraldas geriátricas, ao programa Mais Especialidades, as “entregas” do Ministério da Saúde deveriam ter alavancado a popularidade de Lula, que está em queda livre, de acordo com diferentes institutos.
A escolha de Padilha, que já foi ministro, fecha a porta para aliados de olho grande que desde o início do governo cobiçaram a cadeira de Nísia. Lula resistiu até onde conseguiu, mas capitulou. Agora, Padilha terá de equilibrar os pratos entre a necessidade de uma gestão técnica e o jogo de cintura político, exigido por deputados e senadores ávidos por fazer média com os eleitores.
Nísia não é a primeira nem a última ser demitida de forma desrespeitosa por Lula. Antes dela, o ministro Paulo Pimenta – amigo e companheiro de longa data – foi humilhado com críticas públicas ao desempenho da Comunicação. Como tem mandato, voltou para a Câmara, onde espera ser escolhido para alguma função de relevância. O primeiro ministro a ser demitido com desonra foi Cristovam Buarque, titular da Educação no primeiro governo do PT. Buarque foi afastado diante da constatação de que seu desempenho não correspondia à fama de craque na educação. Soube da demissão durante uma viagem a Portugal. Embarcou ministro e voltou demitido.
Nísia é a terceira mulher demitida no governo Lula, ele que se orgulhava de ter o maior número de ministras da “história deste país”. Todas foram substituídas por homens. A primeira foi Daniela Carneiro (União Brasil), substituída por Celso Sabino (União) no Ministério do Turismo. As duas biografias são incomparáveis: Nísia foi presidente da Fiocruz e Daniela entrou no ministério na carona do marido e era conhecida como “Daniela do Waguinho, referência ao prefeito de Belford Roxo (RJ). Depois caiu a ex-jogadora Ana Moser, destronada do Ministério do Esporte para acomodar André Fufuca, do PP do Maranhão.