Mesmo tendo voltado de mão abanando, a comitiva de deputados estaduais que foi a Brasília em busca de medidas concretas para socorrer os produtores afetados pela estiagem conseguiu um feito capaz de render frutos no futuro: a unidade política. Sem distinção entre esquerda, centro e direita, deputados e senadores de todos os partidos se engajaram na luta encabeçada pelo presidente da Assembleia, Valdeci Oliveira (PT).
Ao desembarcar em Porto Alegre, Valdeci destacou a unidade da bancada gaúcha e das entidades que mandaram representantes a Brasília:
— A presença do chefe da Casa Civil, Artur Lemos, representando o governo, e o empenho dos deputados federais e senadores mostrou que estamos unidos. Não obtivemos nada de concreto ainda, mas abrimos um caminho.
Diferenças políticas à parte, sentaram-se à mesma mesa dois pré-candidatos ao Piratini, o senador Luis Carlos Heinze (PP) e o deputado estadual Edegar Pretto (PT), o deputado federal Giovani Cherini, presidente do PL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro concorrerá à reeleição, o senador Lasier Martins, do Podemos de Sergio Moro, e Artur Lemos, braço direito de Eduardo Leite, hoje no PSDB, mas que poderá concorrer a presidente pelo PSD.
Os deputados constataram que, nos órgãos federais, falar em estiagem no Rio Grande do Sul soa estranho.
— A ideia corrente é de um Estado, rico, em que não falta água e que seca é problema só do Nordeste. A referência deles é Gramado e Canela — diz Valdeci.
De fato, o mais comum é que os municípios decretem situação de emergência por excesso de chuva, mas as estiagens no Estado são cíclicas. Nenhuma, nos últimos 60 anos, foi tão grave e tão prolongada como está sendo esta.
O secretário executivo do Ministério da Agricultura, Marcos Montes, foi receptivo, mas acenou com a liberação de recursos apenas no final de março, com a aprovação de um projeto de lei pelo Congresso. Os deputados pediram que o presidente Jair Bolsonaro edite uma medida provisória, que tem validade imediata, para socorrer os produtores. Da audiência no Ministério da Agricultura participaram mais de 50 pessoas, entre políticos de diferentes partidos e representantes de entidades.
Valdeci espera que essa coesão política sensibilize o governo federal a adotar providências que vão além das medidas emergenciais e que perdure na defesa de outros interesses do Estado.
Aliás
Até a secretária da Agricultura, Silvana Covatti, aliada do governo federal e fã da ministra Tereza Cristina, está decepcionada com a demora do Palácio do Planalto em anunciar medidas concretas para socorrer os produtores gaúchos. Silvana está visitando propriedades em sua região e atesta que a situação piora a cada dia.
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